segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte I - Introdução


Nanook, realizado em 1922 por Robert Flaherty é considerado o primeiro documentário da história do cinema. Flaherty filmou o cotidiano de uma família de esquimós e seus hábitos de caça e pesca.
         
Porém, ele registrou tais hábitos do modo como eram feitos há muito tempo. Por exemplo, em 1922 os esquimós já utilizavam armas de fogo para caçar, fato omitido por Flaherty, que os teria instruído a caçarem com arpões, lanças e flechas.
         
Outro ponto importante é que Flaherty provavelmente instruía os esquimós a como se posicionarem em cena, já que ele precisava armar a câmera, e filmava determinadas cenas de vários ângulos. Ou seja, os esquimós não foram realmente retratados do modo como eles viviam e se comportavam, o que trás uma importante questão: até que ponto os documentários retratam com veracidade o tema abordado por ele, já que no momento em que uma câmera é colocada no ambiente, toda a espontaneidade do mesmo é alterada, mesmo que involuntariamente?
         
Pensando nisso, alguns cineastas norte-americanos passaram a se utilizar da linguagem dos documentários para subverter os mesmos, contar suas histórias de um jeito mais criativo e divertido, enganar os espectadores como jogada de marketing, ou simplesmente homenagear o gênero.
         
O que nos trás a outra questão fundamental: Qual a definição de documentário? A definição convencionalmente mais aceita é a de que documentário é a retratação de determinadas rotinas do tema escolhido, ou entrevistas e depoimentos sobre o tema, ou ainda tudo junto.
         
É a representação da realidade mediada pela linguagem. Porém, o que ocorre quando o tema a ser documentado é forjado especialmente para o filme? Ainda que em Nanook os esquimós não fizessem mais algumas funções do jeito mostrado por Flaherty, outras atividades ainda eram exercidas da mesma forma, e mais importante, eram esquimós legítimos.
         
Com o passar dos anos, o cinema documental norte-americano ganhou alguns exemplos de filmes que se utilizam da estética dos documentários para mostrar ao espectador histórias e fatos que não são reais, quebrando a barreira entre filmes documentários e filmes de ficção. Tais diretores criam o tema que será documentado e podem até passar a tratá-los como se fossem verdadeiros.
         
Existem três bons exemplos de falsos documentários que serão discutidos individualmente nas próximas semanas: Zelig, de 1983; This Is Spinal Tap, de 1984; A Bruxa de Blair, de 1999; e possivelmente o melhor representante do gênero: F for Fake, realizado por Orson Welles em 1973.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Moonrise Kingdom


O novo filme do diretor Wes Anderson provou-se uma grata surpresa. Apesar de não ser muito fã de filmes voltados mais ao público infantil, esse aqui me levou de volta aos bons tempos da Sessão da Tarde. Nostalgia e esquisitices na medida certa.

E ainda conta com um monte de gente no elenco, como Jared Gilman, Kara Hayward, Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Tilda Swinton, Frances McDormand, Jason Schwartzman, Harvey Keitel e Bob Balaban.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Ruby Sparks: A Namorada Perfeita


Eu não gosto de comédias românticas, mas essa até que é bacaninha. Me entreteve durante a sessão e o toque de fantasia na história me agradou.

No elenco, Paul Dano, Zoe Kazan, Annette Bening, Antonio Banderas, Steve Coogan, Chris Messina e Elliott Gould.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os melhores games de todos os tempos segundo o Cyrino


Não, não vou passar a referir a mim mesmo na terceira pessoa. É que como se trata de uma série de matérias escritas por vários delfianos, a identificação se faz necessária.

O título já é autoexplicativo. Cada um escolhe os cinco ou dez jogos de videogame que considera os melhores já feitos, a partir de critérios diversos e pessoais, seja parte técnica, valor sentimental ou importância para a indústria.

Preferi fazer um Top 5, mas com algumas menções honrosas antes, e me baseei na memória afetiva, privilegiando aquela que para mim é a época de ouro dos games, a primeira metade dos anos 90. A título de curiosidade inútil: essa é outra matéria que estava há tempos na fila de publicação (assim como as outras que formam este especial). Foi escrita em janeiro de 2008. Parece que foi ontem.

Seja como for, o especial já está rolando, com as matérias indo ao ar todo começo de semana. Entre e prestigie todas elas, tem muita coisa boa nessas listas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Muse e o Prince

O novo disco do Muse, The 2nd Law, acaba de ser lançado. Claro que na internet saiu antes. A faixa que mais me chamou atenção foi Panic Station. Pensei comigo mesmo, ao ouvir essa mistura de funk e pop que a banda nunca havia tentado antes: “hum, o Prince ficaria orgulhoso disso”.

Eis que dias depois o trio vai se apresentar nos estúdios da rádio BBC e não somente tocam Panic Station, como ainda fazem uma cover de Sign O’ the Times, do... Prince. Isso é que é escancarar de vez a referência. E ela também ficou boa. Escute as duas aí embaixo.

Agora o Muse já pode acrescentar o Prince em sua lista de influências, junto com o rock alternativo, progressivo, heavy metal, eletrônico, música clássica, dubstep... E o pior é que essa mistureba toda faz sentido e funciona, ao menos na sonoridade deles. Confira:


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Busca Implacável 2


O primeiro Busca Implacável apareceu em casa meio por acaso, pela capa tinha a maior cara de ser bem meia-boca. Mas foi um dos melhores filmes de ação que vi em muito tempo. Até hoje, quando passa na TV, para um pouco para rever um pedaço.

Esta sequência é bastante inferior, mas não exigindo demais, dá para o gasto.

No elenco, Liam Neeson, Maggie Grace, Famke Janssen, Rade Serbedzija e Leland Orser.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O monstro se manifesta


É uma coisa meio Jekyll e Hyde, meio Incrível Hulk. Ele também acreditava que havia um monstro furioso dentro dele esperando qualquer descuido para escapar, fazer um estrago, descontar a raiva contida.

Não acreditava que, ao se descontrolar, virava uma grande criatura verde que convenientemente nunca perdia as calças, mas acreditava que durante os acessos mudava, sim. Transformava-se em algo horripilante. Algo que não reconheceria no espelho.

As feições mudadas, deformadas por toda aquela raiva cega que não sabia explicar de onde saía, nem de onde vinha ou para onde ia. Num momento estava tudo bem, e então acontecia, num estalar de dedos. Metamorfose, a criatura irracional e incontrolável assumindo o comando. O ato de destruição inconsequente. E, ao final, como o resultado da passagem de um furacão, a trilha de destroços e os estragos a serem mensurados.

O monstro não assume responsabilidade alguma. Vem, vê e estraga. Para logo depois sumir nas profundezas da alma de seu alter ego, esperando e espreitando pela próxima oportunidade de escapulir. Sua outra metade que se vire com os danos. Que conserte tudo, lide com a vergonha e com as relações abaladas, talvez prestes a desmoronar.

Se um lado é implacável e livre de culpa, o racional pesa tudo e se remói, se tortura sem parar por atos que não são inteiramente culpa sua. Não se pode mudar a genética. No fim, tudo não passa de um infeliz acidente genético. Está tudo gravado no DNA, e não há técnica de aprimoramento que o combata. Como um bebê que nasce na água já nadando, a vontade de estragar tudo sem medir consequências deriva do mesmo caldo primordial.

O lado racional vem depois, quando a criatura já se foi, para analisar e controlar o incêndio, administrando a tragédia como um burocrata cansado. Preso na rotina. Só mais um dia na vida, tudo dentre a mais perfeita normalidade. O monstro? “Ah, normal”, ele responderia. “Isso acontece muito por aqui. Manja Tóquio e o Godzilla? Então, é quase igual”.

Entre um episódio e outro, o calmo e recém controlado alter ego vai juntando os cacos, recompondo o controle de sua vida momentaneamente tomada por sua versão mais furiosa. Contando os minutos para o próximo surto, pois sabe que é inevitável. Quando o monstro se manifesta, o melhor é sair do caminho e torcer para acabar logo. Antes que algo importante finalmente seja despedaçado além de qualquer reparo.