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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Discografia Smashing Pumpkins – Parte final


Leia também:

Concluindo a discografia do quarteto de Chicago, agora focado nos discos lançados já durante sua fase de declínio. Vale ressaltar, todos os álbuns da banda foram lançados no Brasil, mas a maioria já se encontra fora de catálogo.


Machina II/The Friends & Enemies of Modern Music (2000)

Pouco antes de acabar com a banda, Billy Corgan fez uma última tentativa, lançando apenas online essa sequência de Machina (que originalmente deveria ter sido um álbum duplo, mas a gravadora não quis bancar após as baixas vendas de Adore). A banda soltou 25 músicas de graça na internet dividas em 3 EPs e um LP. São basicamente as faixas que ficaram de fora do primeiro Machina e algumas versões alternativas ou remixadas para canções daquele disco. Em comparação com sua primeira parte, este aqui é surpreendentemente mais leve e até mais pop, mas tudo acaba tendo uma cara de lado B, provando que o melhor material já estava mesmo no primeiro disco.

Nota: 7,5


Rotten Apples: The Smashing Pumpkins Greatest Hits (2001)

Primeira e póstuma coletânea da banda, vem com dois discos. O primeiro é o best of, cobrindo todos os álbuns de estúdio numa boa porta de entrada para quem quiser ter o básico do grupo. Para quem já tem os discos, vale pela presença de Drown, lançada apenas num EP, de Eye, da trilha sonora do filme A Estrada Perdida, e pela inédita Untitled. Mas o fino está mesmo no segundo disco, intitulado Judas 0. Trata-se de uma coleção de lados B e faixas inéditas. Algumas das anunciadas como inéditas, na verdade fazem parte de Machina II, mas mesmo assim ainda tem bastante material novo ou menos conhecido. No geral, uma boa pedida.

Nota: 9


Earphoria (2002)

Originalmente a trilha sonora do primeiro vídeo da banda, Vieuphoria (depois relançado em DVD), foram lançadas apenas 1000 cópias em seu lançamento em 1994. Mas em 2002 foi relançado de maneira oficial para as massas. São muitas versões ao vivo gravadas em várias partes do mundo entre em 1992 e 94, a esmagadora maioria delas canções de Siamese Dream e alguns poucos lados B de estúdio. Vale pela energia descontrolada e suja da banda ao vivo, em números como Quiet, Today, I Am One, Geek U.S.A. e Silverfuck. Ótimo registro ao vivo de uma banda no seu auge.

Nota: 9


Zeitgeist (2007)

Após sete anos de hiato e algumas tentativas fracassadas, seja com outra banda, o Zwan, ou solo, Billy Corgan decide reviver o Smashing Pumpkins, mas só consegue trazer de volta Jimmy Chamberlin. É como uma dupla que gravam esse novo trabalho, que foi bastante criticado quando de seu lançamento. Na boa, eu gostei do disco, talvez por não esperar grandes coisas dele, mas concordo que ele é completamente desnecessário. E pô, tudo bem que a D’arcy seria difícil de trazer de volta (ela saiu sem aguentar mais olhar pra cara do careca Corgan), mas pelo menos o James Iha tinham de convencer a voltar, para de fato poderem se chamar de Smashing Pumpkins. Mesmo sendo um trabalho simpático no geral, só serviu mesmo para provar que a banda deveria ter permanecido apenas na afetuosa memória de seus fãs.

Nota: 7


Oceania (2012)

Após o fracasso commercial de Zeitgeist (começo a detectar um padrão), em 2009 Billy Corgan resolveu que só lançaria novas músicas pela internet. Começou o projeto chamado Teargarden by Kaleidyscope, onde soltaria aos poucos e virtualmente 44 canções divididas em vários EPs. Nesse meio tempo, Jimmy Chamberlin se mandou e a banda virou Billy e seus músicos contratados. Talvez numa tentativa de surpreender, tenha voltado atrás em sua decisão e lançou em formato físico esse disco com 13 faixas, que também faz parte de Teargarden. Devo dizer que é melhor do que eu esperava, mas está a léguas de seus melhores momentos. Até que começa bem, com Quasar e Panopticon resgatando um pouco da energia perdida, mas faixas menos inspiradas lá pelo meio diluem a força das melhores. Contudo, é um disco que ainda preciso ouvir com mais calma e atenção para formar uma opinião melhor.

Nota: 6

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Discografia Smashing Pumpkins – Parte I


Finalmente completo a geral nas discografias de minhas bandas favoritas com aquela que ocupa o quinto lugar no meu Top 5, o Smashing Pumpkins. Formado em Chicago, EUA, em 1988 por Billy Corgan (vocais e guitarra), James Iha (guitarra), D’arcy Wretzky (baixo) e Jimmy Chamberlin (bateria), o quarteto sempre foi a ditadura de Billy Corgan, seu principal compositor e líder.

A princípio, a ideia era juntar no mesmo grupo influência das sete bandas favoritas do vocalista, o que resultou numa bizarra mistureba de rock alternativo, heavy metal, música pop e rock progressivo. Mais tarde, também entrariam nesse caldeirão pitadas acústicas e até elementos eletrônicos. E mesmo com tudo isso junto, criaram uma sonoridade que faz sentido, levada por guitarras altas e bastante distorcidas e pela inconfundível voz anasalada de taquara rachada de Corgan, em canções de teor tristonho, mas bastante energéticas.

Fizeram muito sucesso no meio da década de 90, mas o gênio difícil do vocalista e o declínio comercial e criativo acabaram fazendo a banda encerrar atividades no fim do ano 2000 apenas para voltar desnecessariamente sete anos depois sem metade dos integrantes originais. Hoje em dia, a banda ainda está na ativa, somente com Billy da formação original, e bem longe de seu melhor período. Apesar de gostar muito deles, devo dizer que essa foi uma das voltas que não valeu nem um pouco a pena e preferia que tivessem ficado apenas nas boas memórias. Mas não se pode ter tudo.


Gish (1991)

Confesso que não morro de amores pelo disco de estreia da banda. Com uma predominância pesada de heavy metal, é cheio de solos e falta aquela qualidade pop na mistura que marcaria seus trabalhos posteriores. Contudo, é inegável que tecnicamente a banda já estava bastante afiada. A trinca de abertura I Am One, Siva e Rhinoceros é o destaque do disco. O resto do álbum é apenas razoável e olhe lá. Pra completar, ainda teve o azar de ser lançado na mesma época que Nevermind, sendo completamente ofuscado pelo álbum do Nirvana.

Nota: 5


Siamese Dream (1993)

Agora sim os Pumpkins fazem um grande disco, dosando melhor seu lado heavy metal com o rock alternativo guitarreiro e pitadas pop. Saem os vários solos de guitarra, entram canções mais sucintas, mas não menos barulhentas. Cherub Rock, Today, Rocket e Disarm viraram hits. Mas faixas como Soma, Mayonaise e Geek U.S.A. (uma das minhas favoritas da banda) também são grandes destaques. Devido ao fiasco comercial de Gish, este disco era um “vai ou racha” para a banda. Até eles se surpreenderam quando ele vendeu mais que as expectativas e transformou os Smashing Pumpkins num dos principais nomes do rock dos anos 90. Discão.

Nota: 9,5


Pisces Iscariot (1994)

Uma compilação formada basicamente por lados B e sobras de gravação de Siamese Dream. Transparece. Tem boas músicas, mas estão mesmo um passo abaixo do material do álbum anterior. Vale por canções mais fora do estilo usual da banda, como a tranquila Blew Away, composta e cantada pelo guitarrista James Iha, dono de uma voz tímida e suave, muito mais agradável que o taquara rachada Billy Corgan. Indicado apenas para colecionadores ou para quem se interessar pelo lado mais obscuro do quarteto.

Nota:


Mellon Collie and the Infinite Sadness (1995)

O disco mais ambicioso do grupo, um álbum duplo, também é sua obra-prima e até hoje seu maior êxito. 28 canções irretocáveis, muitos hits (Tonight, Tonight; Zero; Bullet with Butterfly Wings; 1979 e Thirty-Three), várias outras grandes músicas (Jellybelly, Here Is No Why, Muzzle, Where Boys Fear to Tread, Bodies, In the Arms of Sleep. Poderia simplesmente citar todas do disco) e muita variação melódica. Vendeu horrores, transformou-os de sucesso alternativo a megabanda do dia pra noite e os deixou no auge de sua carreira. Infelizmente, também foi o fim da época áurea dos Pumpkins e, depois, eles nunca mais conseguiram repetir o mesmo nível de sucesso em qualidade ou comercialmente. Para uma resenha minha completa de Mellon Collie escrita para o Delfos, é só clicar aqui.

Nota: 10


Adore (1998)

Gravado como um trio – o baterista Jimmy Chamberlin foi demitido por problemas com drogas após se envolver na morte por overdose do tecladista de apoio que tocava com a eles na turnê de Mellon Collie –, a banda busca um caminho completamente diferente, alternando entre timbres acústicos com momentos eletrônicos, em canções que, para mim, antecipam bastante do que o Radiohead faria dois anos depois em Kid A. Adore é um disco difícil – tanto que dele só saíram duas músicas de trabalho, Ava Adore e Perfect – e que só começa a “pegar” depois de sucessivas audições. Mas a insistência vale a pena, é um belo disco, embora não para todos os momentos.

Nota: 9


Machina/The Machines of God (2000)

Com Jimmy Chamberlin de volta às baquetas, a banda retoma sua formação original (embora a baixista D’arcy tenha abandonado o grupo logo após o término das gravações) e o rock n’ roll, que haviam ficado de fora de Adore. Machina é um disco bom e coeso, cheio de grandes momentos, embora pudessem ter enxugado umas duas ou três faixas sem problema. The Everlasting Gaze; Stand Inside Your Love e Try, Try, Try foram os singles escolhidos. Heavy Metal Machine e Blue Skies Bring Tears são outros exemplos positivos. Porém, ficou claro que os tempos de Mellon Collie não voltariam mais e, para piorar, o grande público já não estava mais interessado nem no Smashing Pumpkins e nem no rock, o que levou Billy Corgan a declarar que não dava pra lutar contra Britney Spears quando justificou por que acabou com a banda no fim daquele ano.

Nota: 8

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Nota: aproveitando o lançamento esta semana de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, desenterro mais uma resenha, esta de O Cavaleiro das Trevas, escrita à época de seu lançamento e antes publicada apenas em meu TCC do curso de jornalismo. É minha singela homenagem ao Homem-Morcego e ao fim da trilogia de Christopher Nolan. Minha resenha de Batman Begins escrita em meus primeiros dias no Delfos pode ser encontrada aqui. E uma resenha completamente diferente da que está abaixo, sobre a exibição em Imax de O Cavaleiro das Trevas, está aqui.


Para mim, este era o filme mais aguardado do ano. Aliás, desde o final de Batman Begins (2005), quando o tenente Gordon entrega a carta de baralho ao Batman, eu já vinha riscando os dias no calendário, esperando pela continuação.
         
Nisso, surgiram as primeiras notícias, uma agressiva campanha de marketing e os trailers. E tudo isso gerou um frisson monstruoso, tornando O Cavaleiro das Trevas o possível maior evento cinematográfico de 2008.
         
O meu problema com expectativas é que quanto maior elas são, geralmente a decepção vem na mesma proporção. Batman – O Cavaleiro das Trevas não somente cumpre tudo o que prometia, como ainda supera em muito todas essas já referidas expectativas.
         
Não somente é a melhor adaptação de HQs para o cinema já feita, como também é um senhor filme policial, como não se via desde a década de 70.
         
Em O Cavaleiro das Trevas, se junta à aliança entre o morcegão (Christian Bale) e o tenente James Gordon (Gary Oldman), o novo promotor público de Gotham, Harvey Dent (Aaron Eckhart). Chamado de Cavaleiro Branco de Gotham, Dent é um herói que Batman não pode ser: uma pessoa comum, com um rosto, incorruptível e que faz o certo porque acredita que pode fazer a diferença. E capaz de influenciar as pessoas de um modo saudável, algo que o morcegão não consegue. Desta forma, Batman caça os criminosos, Gordon os prende e Harvey os processa. Juntos, os três armam um plano para derrubar a máfia da cidade, atingindo-os onde dói mais, no bolso.
         
Mas o surgimento do Coringa (Heath Ledger) vai agitar as coisas e deixar toda a cidade em clima de terror, além de forçar o Homem-Morcego a ir aos seus limites, questionando sua própria influência na cidade e o nível de violência exigida para se chegar à justiça.
         
Essencialmente, essa é a trama básica, e bem básica mesmo, do filme. Contar mais poderia estragar muitas surpresas em potencial. E acredite, há muitas delas nos 152 minutos de projeção.
         
O grande mérito da película é não fazer concessões. Sim, é um filme de quadrinhos com censura baixa para atrair a molecada. No entanto, é violentíssimo sem mostrar uma gota de sangue. Respeita a fonte original (o roteiro foi influenciado pelas HQs A Piada Mortal e O Longo Dia das Bruxas), mas com coragem para modificar certos elementos e fazê-los funcionar melhor dessa forma. Tem muita ação e o nível de adrenalina fica constantemente lá em cima. No entanto, como o próprio nome já entrega, é o mais sombrio dos filmes do morcegão, com um clima dark e carregado e a sensação constante de que nem todos os personagens chegarão ao fim da jornada inteiros.
         
E, sobretudo, é um daqueles exemplares cada vez mais raros em Hollywood. Um filme de entretenimento onde o lado psicológico de seus personagens é mais importante que o número de explosões. E que diverte ao mesmo tempo em que faz pensar. E não somente aos fãs do personagem e de quadrinhos em geral, mas a qualquer um. Como disse, não é apenas uma adaptação de HQ, mas um policial de qualidade, como há muito não se via.
         
É um estudo sobre a maldade e os limites de uma crença. Tudo isso centralizado na figura do Coringa, o caos encarnado. Produto de uma sociedade cada vez mais amoral e corrupta. O que é mais assustador do que alguém sem motivação aparente para os atos mais bárbaros? É a pura representação do anarquismo. E o mais assustador ainda é notar que apesar de seus métodos terroristas, capaz de deixar Gotham City de joelhos, ele tem certa razão em fazer o que faz. Sim, eu acho que também sou anarquista...
         
O último trabalho de Heath Ledger, morto no início do ano, não somente é a encarnação definitiva do personagem (assustador, sádico e sim, cruelmente engraçado), bem como uma das maiores interpretações da história do cinema (coitado de quem for substituí-lo em projetos futuros. Essa pessoa terá de suar muito a camisa). Debaixo de uma maquiagem de pesadelos, Ledger desaparece na pele do Palhaço do Crime e se torna a grande força motora da película, ao lado da sensível interpretação de Aaron Eckhart como Harvey Dent, o último bastião de bondade em um mundo cada vez mais corrupto e violento.
         
Aliás, talvez essa seja a grande qualidade da película. Além de um elenco de nomes invejáveis, todos eles entregam performances não menos que ótimas. Christian Bale, como Bruce Wayne/Batman, está mais perturbado do que nunca, levado ao limite pela presença de seu maior vilão, seu exato oposto e talvez resultado de sua própria existência. Afinal, o conceito de escalada (policias usam armas semi-automáticas, os bandidos passam a usar automáticas. Um sujeito combate o crime vestido de morcego e começam a surgir criminosos insanos como o Coringa) é um dos temas da história.
         
As sequências de ação são maravilhosas (o uniforme novo de Batman permite uma maior movimentação de Bale, tornando as lutas ainda mais dinâmicas) e a sequência na China, por exemplo, deixa qualquer Missão: Impossível no chinelo. Engula essa, Ethan Hunt.
         
A fotografia é belíssima, escura e abusando de planos abertos e a trilha sonora, embora não seja marcante, acrescenta muito clima às imagens.
         
O ritmo da narrativa e a montagem são excelentes. A história não para nunca. Há tramas e mais subtramas que se desenrolam de forma natural e precisa, fazendo com que as duas horas e meia de duração passem num piscar de olhos.
         
E, ao final, a sensação de levar um soco no estômago é inevitável. Aqui não há finais felizes, vitórias completas e nem maniqueísmo. O mundo de O Cavaleiro das Trevas é composto apenas por áreas cinzas. Cabe aos personagens se equilibrarem nelas sem cair. O que talvez seja inevitável, mas para confirmar você terá de ver o filme.
         
Depois da experiência de assistir um filme como Batman – O Cavaleiro das Trevas, fica até difícil de pensar em voltar ao cinema este ano. A não ser que seja para revê-lo. E eu sem dúvida farei isso. Para filmes como este só existe uma palavra para defini-lo: clássico.

(The Dark Knight – EUA – 2008 / Policial/Ação – 152 minutos / Diretor: Christopher Nolan – Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Cillian Murphy, Eric Roberts.)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Discografia Nirvana – Parte final


Leia também:

Nesta última parte da Discografia Nirvana, só discos póstumos. Temos coletâneas, disco ao vivo, coletânea ao vivo e compilações de raridades. Todos os álbuns, incluindo os da primeira parte da matéria (à exceção de Icon e da caixa With the Lights Out) foram lançados no Brasil, e a maioria deles ainda está em catálogo.

 

 From the Muddy Banks of the Wishkah (1996)

Tenho um carinho especial por este disco, uma coletânea de faixas ao vivo, registradas entre 1989 e 1994, pois foi o primeiro disco da banda que ouvi. E chapei completamente, já a partir da abertura, numa introdução com Cobain fazendo um singelo teste de som berrando ao microfone. Sem sombra de dúvida, foi um dos álbuns que eu mais ouvi na vida. E, por um ano, eu o escutava quase todo dia. Os principais clássicos da banda estão aqui, num tracklist que passa muito bem por todos os seus discos. Sendo assim, temos todos os sucessos acrescidos da energia e selvageria que marcaram suas apresentações ao vivo. Indispensável.

Nota: 10


Nirvana (2002)

A primeira coletânea da banda teve como grande atrativo a inclusão de You Know You’re Right, uma das últimas faixas inéditas da banda divulgadas. A música é boa, mas não é marcante. Já a coletânea em si é o básico do básico, com faixas dos três discos de estúdio, mais duas de Incesticide e encerrando com outras do Acústico MTV. Contudo, Bleach foi praticamente ignorado, representado apenas por About a Girl. Para quem quer conhecer a banda, até que serve como introdução à introdução, mas para quem quiser uma coletânea de responsa, eu recomendo mesmo é o From the Muddy Banks of the Wishkah.

Nota:


With the Lights Out (2004)

Este box set de raridades, mostra que o baú de sobras da banda não é tão fundo assim. Entre faixas ao vivo e lados b já conhecidos, o grosso do material dividido em três discos é formado por demos, muitas delas caseiras, só voz e violão. É interessante para quem gosta de saber como nasce uma canção, mas por outro lado, a esmagadora maioria delas não tem muita qualidade de gravação ou mesmo capricho técnico, afinal, são demos. O ponto alto da caixa é mesmo o DVD que acompanha, com muitas imagens raras da banda, desde o trio em começo de carreira, até a passagem pelo Brasil, com eles tocando uma música nos estúdios da BMG no Rio de Janeiro. Mas a caixa em si, é recomendável apenas para fãs completistas.

Nota: 6


Sliver: The Best of the Box (2005)

Para quem não tem poder aquisitivo para comprar a caixa With the Lights Out, mas gostaria de ter um gostinho do material contido nela, foi lançada essa coletânea com “o melhor da caixa”. São 22 faixas que dão uma geral nos três discos de material do box set. Boa iniciativa para deixar as raridades acessíveis à maior parcela de público possível, mas sofre dos mesmos problemas já mencionados logo acima. Também é um produto indicado somente para os muito fanáticos.

Nota: 6


Live at Reading (2009)

Um dos shows mais marcantes da banda, no Reading Festival, em agosto de 1992, com o Nirvana no auge do sucesso de Nevermind, chega em disco (e também em DVD) com registro na íntegra. Banda afiada, muito barulho, excelente setlist, privilegiando, claro, seu segundo disco (com a presença de onze faixas), e mesmo com In Utero sendo lançado apenas no ano seguinte, tourette’s, All Apologies e Dumb já dão as caras. Outro excelente álbum ao vivo.

Nota: 9


Icon (2010)

Coletânea mais recente, é de uma pobreza extrema. Enquanto a compilação anterior, Nirvana, tinha 15 faixas, esta tem apenas 11, todas elas já presentes no disco da capa preta. A única diferença é que a versão de About a Girl aqui é a acústica e não a de Bleach. Um best of totalmente desleixado e desnecessário, quando o anterior tem mais músicas e ainda está em catálogo (ao menos lá fora). Mas eu insisto, se é para escolher uma coletânea, a grande pedida é From the Muddy Banks!

Nota: 4

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Discografia Nirvana – Parte I


Após um período dedicado aos quadrinhos, a discografia está de volta, agora para analisar a obra do Nirvana, mais um dos representantes do meu Top 5 de bandas favoritas de todos os tempos, ocupando a honrosa terceira posição. Foi uma das bandas da minha adolescência, ainda que eles já não existissem mais quando eu era adolescente. Mas isso só vem a comprovar a força de sua música, relevante até hoje.

O trio formado em 1987 na cidadezinha de Aberdeen, Washington por Kurt Cobain (vocais e guitarra), Krist Novoselic (baixo) e Chad Channing (bateria), mais tarde substituído por um tal de Dave Grohl, começou como uma típica banda alternativa de garagem, misturando punk, hardocre, hard rock e pop em músicas diretas, barulhentas e, no entanto, bastante melódicas.

Não demorou para a banda se tornar a maior representante do chamado movimento grunge, nascido na região de Seattle no começo dos anos 1990 e, com seu segundo álbum, Nevermind, ultrapassar a barreira independente e atingir o mainstream, mudando para sempre o panorama da música pop mundial. Se aqueles cabeludos esfarrapados podiam ser populares e vender milhões de discos, mantendo sua integridade artística, qualquer um poderia fazer o mesmo.


Bleach (1989)

O primeiro disco da banda, gravado por míticos 600 dólares emprestados pelo guitarrista Jason Everman, que, por sua vez, não tocou uma nota no álbum. Como era de se imaginar, falta requinte à produção e o som do grupo ainda está bastante cru. E, comparado a Dave Grohl, o baterista original, Chad Channing, que toca nesse disco, é praticamente um aprendiz. Contudo, muitas das marcas registradas da banda, a fusão de punk, alternativo e pop, já aparece bem representada em faixas como Blew, About a Girl, School, Negative Creep, Downer e na cover de Love Buzz. Contudo, as outras faixas são apenas regulares. É um disco que merece ser redescoberto.

Nota:


Nevermind (1991)

O que falar desse disco que milhares de veículos de jornalismo musical e fãs já não tenham falado ao longo desses 21 anos? Comentar a importância desse disco para a cena rock dos anos 90 e comentar seu status como um dos últimos grandes trabalhos do gênero é chover no molhado. Ao invés disso é só conferir o tracklist do disco e constatar: é basicamente um greatest hits. Das 12 faixas, apenas Lounge Act não ganhou exposição. O que também não quer dizer nada, porque a faixa em questão, assim como todas as outras, também é muito boa. Eis aqui um álbum verdadeiramente merecedor da alcunha conquistada: clássico.

Nota: 10


Incesticide (1992)

Coletânea de lados b e sobras de gravação, lançada na esteira do estouro de Nevermind. Tem faixas tipicamente nirvânicas, como Dive, Been a Son e Aneurysm, uma das melhores da banda (Sliver) e covers dos Vaselines (Molly’s Lips e Son of a Gun), uma das bandas favoritas de Kurt Cobain. E tem também coisas mais chatas e arrastadas, como Hairspray Queen, Big Long Now e Aero Zeppelin, que mostra a banda nos primórdios, ainda em busca de um direcionamento musical melhor. Não é um disco essencial, mas é cheio de bons momentos.

Nota:


In Utero (1993)

Por mais clássico e importante que seja Nevermind, devo admitir que várias vezes gosto muito mais de seu sucessor. Isso porque ele pega a fórmula do alternativo pop de seu antecessor e a leva um passo além, explorando os limites do comercialmente viável, testando a paciência do grande público com muita distorção e microfonias, em canções mais difíceis, como se quisesse afugentar os fãs de ocasião e manter apenas os verdadeiros. Só sei que uma das minhas favoritas, Scentless Apprentice, está aqui. E nem a chata faixa bônus Gallons of Rubbing Alcohol Flow Through the Strip é capaz de arranhar o brilho do último disco de estúdio do então trio. Despedida em grande estilo.

Nota: 9,5


MTV Unplugged in New York (1994)

Poucos meses antes de Kurt Cobain se matar, a banda gravou este acústico para a MTV (também lançado em DVD). Muitos consideravam que seria um tiro no pé o grupo conhecido pela fúria e pelo peso despir-se da eletricidade. O resultado, contudo, é um dos melhores acústicos da história, com o agora quarteto (com a adição do guitarrista Pat Smear) mostrando e ressaltando toda a melodia que ficava soterrada pelos pedais de distorção. Um setlist muito bem escolhido, privilegiando as faixas mais adaptáveis ao formato, junto de várias covers, culminando no encerramento arrepiante, com Where Did You Sleep Last Night, de Leadbelly. Mais um grande disco.

Nota: 10 

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Discografia Radiohead – Parte final


Leia também:

Na última parte da Discografia, os discos pós Kid A/Amnesiac. Para uma banda com mais de 20 anos de estrada, sua discografia é bem sucinta e também fácil de se encontrar, já tendo inclusive ganhado um relançamento recente.


I Might Be Wrong: Live Recordings (2001)

Este EP de 8 faixas (que também foi lançado no Brasil, algo raro de acontecer) tinha como único propósito acalmar certa apreensão dos fãs ao mostrar-lhes que as músicas eletrônicas e superproduzidas da dobradinha Kid A/Amnesiac podiam funcionar muito bem ao vivo. Fora isso, vale pela inédita em disco True Love Waits, mas que possui uma versão melhor (com teclado) circulando pela internet.

Nota: 7,5


Hail to the Thief (2003)

A união do melhor de dois mundos. A volta das guitarras, tão pedidas pelos fãs, aliada às esquisitices sonoras dos dois discos anteriores. Não à toa é seu melhor disco desde OK Computer. Desde as distorções de abertura de 2 + 2 = 5, passando pelo single There There, essa fusão de sonoridades funciona que é uma beleza. De fato, só há três músicas descartáveis aqui: as puramente eletrônicas e genéricas Backdrifts e The Gloaming e a horrenda We Suck Young Blood, fácil, fácil a pior coisa que eles já gravaram. As outras onze faixas são de primeira. Se não fosse por essas três canções, poderia ser mais um clássico. Do jeito que está é só um excelente álbum. Leia um pouco mais sobre ele aqui.

Nota: 9,5


In Rainbows (2007)

Após um hiato de quatro anos sem lançar nada (o maior de sua carreira), a banda grava e lança este disco de forma independente com uma forma de comercialização pioneira e ousada (pague quanto quiser). Resultado: ganham muito dinheiro, provam que um disco não precisa ser caro para dar lucro e que não precisam de grandes gravadoras para continuar em evidência no meio. Musicalmente, nova mudança de estilo. In Rainbows é um disco mais orgânico. Os elementos eletrônicos estão em segundo plano e as guitarras, por sua vez, mais calmas. É o tipo de disco que não impressiona na primeira audição, mas que cresce bastante a cada nova escutada. Bodysnatchers, All I Need e Jigsaw Falling Into Place não fazem feio entre as canções mais antigas. Para uma resenha minha mais completa sobre o disco, publicada no Delfos em 2010, é só clicar aqui.

Nota: 9


The Best Of (2008)

Com o fim do contrato com a EMI, a gravadora resolveu ganhar os últimos trocados com o Radiohead lançando esta coletânea contra a vontade do grupo. Compilando faixas de Pablo Honey até Hail to the Thief (In Rainbows já foi lançado de forma independente), foi lançado em duas versões, simples e dupla. A simples, com 17 faixas, é simplesmente insuficiente para apresentar os principais sucessos da banda para um neófito. Já a dupla, com 30 músicas no total, é uma boa porta de entrada. Para quem já tem todos os discos, essa coletânea não possui nenhum atrativo. O lado B Talk Show Host, única faixa mais alternativa, presente na versão dupla, pode ser achada facilmente na internet e em coletâneas pirata de lados B.

Nota: 8 


The King of Limbs (2011)

Depois de mais de 20 anos de carreira, até que demorou para o grupo dar sua primeira escorregada. Como há uma primeira vez para tudo, The King of Limbs foi a pisada na bola inaugural da banda. Lançado no mesmo esquema de In Rainbows (mas com preço fixo), decepciona por ser um passo atrás. Ao invés de seguir pelo muito mais interessante caminho musical de In Rainbows, a banda retoma a exata mesma sonoridade de Kid A e Amnesiac, em canções menos inspiradas que as destes discos. Há bons momentos sim, mas nada muito memorável. É o tipo de álbum que sempre será preterido por algum outro da discografia da banda.

Nota: 6,5

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Discografia Radiohead – Parte I


Em minha missão contínua para apresentar a discografia de minhas bandas preferidas, chegou a vez de falar daquela que ocupa o posto número dois em meu Top 5 de todos os tempos, o Radiohead, aquela que é, sem qualquer sombra de dúvida, a mais influente e importante banda de rock em atividade.

Com uma liberdade criativa e capacidade para experimentar sem precedentes, a banda não se prende a vontades de mercado, e nem mesmo à de seus fãs, e sua sonoridade a cada novo trabalho é tão diferente quanto surpreendente. E mesmo com essa grande esquizofrenia musical, sua base de fãs se mantém firme e forte, sempre ansiosa para saber como o grupo irá soar a seguir.

Formado na região da cidade universitária de Oxford, Inglaterra, em 1985, por Thom Yorke (vocais, guitarra e teclados), Ed O’Brien (guitarra), Colin Greenwood (baixo) e Phil Selway (bateria), posteriormente o grupo ganhou a adição do irmão caçula de Colin, Jonny Greenwood (guitarra, teclados e demais instrumentos esquisitos), que, ao lado de Thom Yorke, é uma das grandes forças criativas da banda.

Tirando seu nome de uma música dos Talking Heads, a banda penou alguns anos no circuito de rock universitário da Inglaterra, deu uma parada para seus integrantes cursarem a faculdade, e retornou com eles já formados (à exceção de Jonny, mais novo que os outros) para que enfim pudessem gravar seu primeiro disco, lançado ainda em meio ao furacão grunge.
  

Pablo Honey (1993)

O disco de estreia do Radiohead fez com que eles fossem chamados por parte da imprensa internacional de “Nirvana britânico”. De fato, a influência do grupo de Seattle se faz notar por todo o disco, assim como ecos de Pixies e Sonic Youth. Muitas influências em primeiro plano num álbum que carece um pouco de identidade própria. Há ótimas músicas, como o sucesso Creep, a irônica Anyone Can Play Guitar e a balada Thinking About You. De fato, a primeira metade do disco é muito boa, com rocks acelerados e baladas levadas pelas guitarras. O problema, além da falta de uma cara própria já citada, é que a segunda metade perde fôlego e as faixas se tornam repetitivas. Mas para uma estreia, está de bom tamanho.

Nota: 7


The Bends (1995)

É aqui que a banda encontra sua própria identidade, cria seu estilo e comete um dos meus discos favoritos de todos os tempos. Sem dúvida, o meu preferido deles, até mais que OK Computer. 12 faixas de uma beleza monumental, impossível pular uma sequer. Tem rock guitarreiro com The Bends, Just e My Iron Lung e baladas depressivas com High and Dry, Fake Plastic Trees e (Nice Dream), só para ficar em alguns exemplos, até culminar na última faixa, a climática Street Spirit (Fade Out). Um dos grandes discos de rock da década de 90 e a primeira obra-prima da banda. Essencial.

Nota: 10


OK Computer (1997)

Este é um daqueles discos que são o retrato perfeito de uma geração (a letra de No Surprises é uma pequena pérola sobre a vida moderna). Até por isso, e sua gigantesca qualidade, claro, é tido como o último grande disco de rock lançado. E já se vão 15 anos! Aqui a banda incorpora elementos do rock progressivo e deixa sua sonoridade mais viajandona e também, se é que isso é possível, mais tristonha. Desde a abertura com Airbag, narrando um acidente de carro, passando pela épica Paranoid Android e sua referência a Douglas Adams, Karma Police, a perfeita Let Down (a minha favorita da banda) até o final, com The Tourist e o narrador pedindo para algum idiota ir mais devagar ao volante, o que denota uma espécie de narrativa cíclica, é mais um trabalho irretocável, que também merece o título de obra-prima. Contudo, diferente de The Bends, não o considero um disco para ser ouvido em todos os momentos. E a vinheta Fitter Happier (narrada pelo programa de voz de um Macintosh) dificilmente merece uma segunda audição. Mas mesmo assim, é um puta disco.

Nota: 10


Kid A (2000)

Após o sucesso estrondoso de OK Computer, veio a dúvida: para onde ir musicalmente a seguir? Fazer mais do mesmo ou tentar algo novo? Esse questionamento quase implode o grupo, até que por fim eles encontram a resposta que pegou todo mundo de surpresa: fazer colagens sonoras eletrônicas, praticamente encostando as guitarras que fizeram sua fama. Parecia suicídio comercial, mas o disco liderou as paradas e provou que integridade artística pode sim ser sinônimo de sucesso. Muitos críticos estadunidenses, por falta de um rótulo melhor, classificaram esse como um trabalho de jazz. Abrindo com as repetições de Everything in Its Right Place, a levada de baixo de The National Anthem, a mais normalzinha Optimistic e a dançante Idioteque, esses são os destaques. Escutado com a mente aberta, é um ótimo disco.

Nota: 8,5


Amnesiac (2001)

Composto por músicas gravadas nas sessões de Kid A e que acabaram ficando de fora daquele álbum, de maneira alguma são “sobras”, pois as canções têm qualidade mais que suficiente para sustentar este disco. Pyramid Song, You and Whose Army?, Knives Out e The Morning Bell/Amnesiac são os pontos altos. O problema é que o choque da surpresa de Kid A aqui já não existia mais e, convenhamos, entre essa fase esquisita/eletrônica e a saudosa fase das guitarras, acho que ninguém prefere esta aqui.

Nota: 7,5

quinta-feira, 26 de abril de 2012

O Incrível Hulk

Nota: aproveitando o lançamento de Os Vingadores – The Avengers, resolvi desenterrar duas resenhas de filmes de personagens que estão no longa, escritas à época de seu lançamento e antes publicadas apenas em meu TCC do curso de jornalismo. Considere um miniespecial Vingadores. Ou considere preguiça de produzir material novo e picaretagem por reciclar velharias, tanto faz.


Indo direto ao ponto: O Incrível Hulk é uma nova tentativa da Marvel de emplacar uma franquia bem sucedida do Golias Esmeralda nos cinemas. Hulk (2003), de Ang Lee, não atingiu uma performance satisfatória nas bilheterias na visão dos executivos (ainda que não se possa chamá-lo de fracasso comercial) e não agradou aos fãs dos quadrinhos.
         
Portanto, a missão deste O Incrível Hulk é ganhar mais verdinhas, deixar os fanboys contentes e, espera-se, com isso gerar mais continuações. A fórmula para tanto é distanciar-se do exemplar de 2003, considerando o novo filme não uma continuação, mas um recomeço para a cinessérie, focado mais na ação estilo “Hulk esmaga” dos quadrinhos e mais na série de TV tipo “homem solitário” dos anos 70 do que no lado psicanalítico da obra de Ang Lee.
         
Sendo bem sincero, eu nunca fui fã do Hulk. Nunca achei muita graça no personagem e as poucas histórias que li, não gostei. Talvez por isso até hoje não tenha uma opinião totalmente formada a respeito da película anterior. Há coisas muito boas, como a edição espertíssima com divisões de quadros e elipses variadas tentando dar a sensação de painéis de um gibi e o próprio foco mais no desenvolvimento psicológico do protagonista e a exploração de seus traumas de infância, tornando-o um filme de HQs mais intelectual do que puramente um show de efeitos especiais. No entanto, como já disse antes, o personagem não me diz nada e o final (a desnecessária luta contra seu pai) eu achei uma porcaria.
         
Já o novo filme opta claramente pela fórmula do blockbuster, privilegiando a pancadaria ao desenvolvimento da história. Assim, ganha no quesito adrenalina e perde em coragem, pois ao menos Ang Lee tentou fazer algo diferente.
         
O longa de Louis Leterrier abre com Bruce Banner (Edward Norton) refugiado na favela da Rocinha (!). Lá, o sujeito trabalha numa fábrica de guaraná (!!) enquanto se corresponde via Internet com outro cientista, na esperança de juntos encontrarem uma solução para seu problema grande, verde e furioso. Mas, claro, o exército dos EUA, sob o comando do General Ross (William Hurt), continua em seu encalço para usar seu alter ego monstruoso como arma. Nessas, Bruce terá de fugir dos fardados e seu principal operativo, Emil Blonsky (Tim Roth), reencontrará sua amada Betty Ross (Liv Tyler) e descobrirá um oponente a altura quando Blonsky se transforma no Abominável, uma criatura maior, mais forte e mais feia que o Hulk.
         
Como você pode ver pelo parágrafo acima, é bem formulaico, e justamente por se contentar em seguir uma receita repetida à exaustão, o resultado final é bem meia boca. Mas tomemos um tempo para analisar os principais aspectos da película.
         
Para começar, as cenas da Rocinha (na realidade filmadas em outra favela, a Tavares Bastos) são bacanas e muito bem filmadas, mas não dá para entender porque puseram dois gringos para interpretar brasileiros. Totalmente bizarro, já que temos um dos irmãos Gracie (honestamente, não sei qual, são tantos) como seu instrutor de autocontrole e a atriz Débora Nascimento como sua colega na fábrica.

E aí, como o chefe de Bruce e o bully responsável por sua primeira transformação em Hulk na película, dois americanos! O primeiro claramente decorou suas falas foneticamente, sem fazer a menor ideia do significado. Resultado: um sotaque grotesco. O segundo é ainda mais absurdo, pois o cara foi dublado! A história que rola é que esse sujeito falava num português tão incompreensível que a própria Paramount brasileira dublou o mané para não passar mais vergonha.

Enfim, no campo das atuações, Edward Norton está bem como sempre (e até arrisca um português), assim como os outros atores principais, mas convenhamos, até por preferir a ação à construção de personagens, esse não é o tipo de filme que exige grandes performances de seus intérpretes.

Os efeitos especiais, como sempre em produções desse tipo, estão muito bons, com o Hulk numa tonalidade de verde mais escuro, um corpo cheio de estrias e sem variar no tamanho como no do filme anterior. Ah, ele também não salta mais longas distâncias, provavelmente para conferir uma sensação de peso ao personagem, que tanto faltou à sua outra encarnação. Na minha opinião, deu na mesma e essa sensação permanece, ainda que o visual novo seja mais ameaçador e mais parecido com os quadrinhos que o antigo.
         
Quanto às cenas de ação, acontece algo bizarro aqui. Como já disse antes, a ideia de O Incrível Hulk é focar mais nelas. Então como explicar que ele tenha exatamente a mesma quantidade de cenas adrenalinescas que seu antecessor? São basicamente três: a perseguição na fábrica (onde o Hulk fica o tempo todo nas sombras), o combate contra o exército no parque e a luta com o Abominável no clímax. É pouco para um filme que se escora na base da porrada.
         
E já que falei no Abominável, outro ponto fraco é a motivação de Emil Blonsky. OK, no começo é explicado que ele se submete ao tratamento experimental do exército para poder corresponder fisicamente a uma batalha contra o Hulk. Mas daí a querer se transformar deliberadamente num monstro como Banner já é algo incompreensível e acreditar nisso é pedir demais.
         
No mais, os fãs poderão sacar muitas referências, principalmente ao universo Marvel que está se formando no cinema com os heróis habitando o mesmo mundo. Há logos da S.H.I.E.L.D. espalhados nas cenas, os armamentos do exército são das Indústrias Stark e o próprio Tony Stark (Robert Downey Jr.) aparece numa ponta aquecendo os motores para o futuro filme dos Vingadores. Já a respeito do Capitão América, já vou logo avisando, ele não aparece e a única referência feita a ele é a de um certo soro do supersoldado.
         
Posto isso, O Incrível Hulk é satisfatório, mas fica abaixo dos filmes recentes dos heróis Marvel, como um Homem de Ferro, por exemplo. Ao seguir uma fórmula na tentativa de agradar mais gente, foi covarde e não se arriscou. E por essas e outras, acho que finalmente formo uma opinião definitiva e fico mesmo é com o Hulk de Ang Lee. Pode não ser perfeito, mas pelo menos tentou sair do lugar comum.

(The Incredible Hulk – EUA – 2008 / Ação/Ficção Científica – 114 minutos / Diretor: Louis Leterrier – Elenco: Edward Norton, Liv Tyler, Tim Roth, Tim Blake Nelson e William Hurt.)