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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os melhores filmes de 2012: Parte final


Leia também:

Concluindo minha lista dos melhores filmes do ano passado, apresento agora meus cinco primeiros colocados. Como nem tudo foram flores, acrescento também mais uma decepção e um pior longa-metragem do ano em questão. Confira abaixo:


5 – 13 Assassinos (Jûsan-nin no Shikaku – Japão/Reino Unido – 2010)

O filme do diretor Takashi Miike pode, a grosso modo, ser comparado com uma versão japonesa de 300. Só que aqui, no caso, não são 300 espartanos, mas apenas 13 samurais. E eles fazem um estrago ainda maior em sua tentativa de matar um cruel senhor feudal. Impressiona o ritmo da película. A primeira hora é dedicada à apresentação da história, dos personagens e desenvolvimento da trama. O resto de seus 141 minutos é puro clímax. Uma batalha gigantesca que não esfria em nenhum momento e mantém o espectador com os olhos grudados na tela. Conseguir uma coisa dessas não é para qualquer um.


4 – Os Vingadores - The Avengers (The Avengers – EUA – 2012)

A estreia dos Vingadores na telona é a culminação do ambicioso planejamento da Marvel para transportar seu universo unificado para o cinema. Foi um sucesso absoluto. Divertido, muito engraçado, leve, cheio de ação e extremamente colorido, é entretenimento puro, lembrando que filmes de super-heróis não precisam seguir apenas a cartilha do Batman de realismo sombrio. Nas HQs, os Vingadores sempre foram fantasia e aventura em estado bruto. A grande sacada do diretor e roteirista Joss Whedon foi manter essa característica. Com isso, fecha-se um ciclo e começa-se outro com o vindouro Homem de Ferro 3. Baseado no sucesso desta primeira fase, vem coisa boa por aí. Leia minha resenha aqui.


3 – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises – EUA/Reino Unido – 2012)

A conclusão da trilogia do Cavaleiro das Trevas não é um filme perfeito. Na verdade, possui muitos vícios irritantes de roteiro e coisas desnecessárias. Mas, caramba, eu gostei. É um longa digno como fechamento da passagem de Christopher Nolan pelo personagem. Tudo é gigantesco aqui, das cenas de ação à fotografia em Imax. É também o que mais tem cara de história em quadrinhos, dado a escala exagerada da história. Possui momentos corajosos e, como grande fã do Homem-Morcego, fiquei muito satisfeito com o resultado geral. Vejamos o que vem para o personagem na tela grande daqui pra frente. Confira a resenha aqui.


2 – As Vantagens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower – EUA – 2012)

Surpreendente esse pequeno grande drama adolescente sobre um garoto tímido e com problemas psicológicos tentando se adaptar ao primeiro ano do ensino médio e fazer amizades. Impossível não se identificar com muitas das situações mostradas e simpatizar com o protagonista e com a dupla de veteranos que o acolhe. Tem também o melhor uso para a música Heroes, de David Bowie, no cinema. Enquanto assistia não conseguia deixar de pensar que se John Hughes focasse seus filmes teen mais no drama e menos na comédia, o resultado seria muito parecido com As Vantagens de Ser Invisível.


1 – Argo (idem – EUA – 2012)

Surge um grande diretor e ele se chama Ben Affleck. Numa das maiores reviravoltas de carreira, o ator se redescobre atrás das câmeras, e aqui também não faz feio na frente delas. Pulso firme, muito seguro em contar essa nervosa e absurda história real, consegue manter o nível de tensão da narrativa beirando o insuportável. Fora que este aqui é exemplar de uma raça em extinção, o filme para adultos, com a maior cara de longa feito na década de 1970. História séria, condução séria (o que não quer dizer que não haja humor) e ainda assim excelente entretenimento. Coisa de gente grande, tanto na temática como no resultado. Primeiro lugar da lista com muito mérito. Clique aqui para ler a resenha.  

Decepção


O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man – EUA – 2012)

Como puderam errar a mão tão feio com uma franquia importante como essa? O Espetacular Homem-Aranha, de espetacular só tem o nome, o resto é bem mequetrefe. Usaram uma das piores coisas dos quadrinhos (a história dos pais de Peter), fizeram um roteiro ruim de doer e o filme ainda é chato, arrastado e previsível. A melhor coisa dele é o tio Ben de Martin Sheen que, óbvio, morre bem no começo. Para esse reboot virar uma série sólida, vão ter que melhorar muita coisa no segundo longa. Enquanto isso, Sam Raimi deve estar rindo à toa. Até mesmo o odiado por muitos Homem-Aranha 3 (eu até gosto) é muito superior a este aqui. Após esse fiasco, trazer Raimi de volta não seria má ideia.

O pior


Como Agarrar Meu Ex-Namorado (One for the Money – EUA – 2012)

Tudo bem, comédias românticas estão longe de ser o meu favorito, mas quando fazem um suposto filme do gênero que não tem graça nem romance, você sabe que há algo errado aí. Esse negócio falha espetacularmente em tudo que se propõe a fazer, dando em troca 90 minutos insuportáveis de pura tortura. Um dos melhores exemplos de filme ruim que consigo imaginar, chega a ser didático. Leia aqui a resenha.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Os melhores filmes de 2012: Parte I


2012 ficou para trás e está na hora de fazer o balanço cinematográfico do ano que passou. Dessa vez não fiz minha lista de melhores filmes no Delfos, minha matéria do especial de fim de ano do site foi essa aqui. Portanto, resolvi colocar minha seleção direto aqui no meu blog.

Sendo assim, optei não pela tradicional lista de cinco filmes, escolhi dessa vez os meus 10 favoritos. Bem como duas decepções e dois dos piores longas do ano. Dividi a matéria em duas partes, portanto, teremos aqui cinco dos melhores, uma decepção e um pior. Na semana que vem, publico os cinco primeiros colocados e mais uma decepção e um pior.

Vale lembrar, os critérios para seleção foram apenas filmes que estrearam nos cinemas brasileiros em 2012 ou foram lançados aqui direto em vídeo no ano em questão, não importando que tenham estreado em seus países de origem em anos anteriores. Vamos lá, começando pela décima posição.


10 – Anjos da Lei (21 Jump Street – EUA – 2012)

Esse remake da série de TV que revelou Johnny Depp ao mundo provou-se uma grata surpresa. Do seriado mesmo, só aproveitaram a premissa de tiras jovens infiltrados em escolas. Todo o resto foi mudado e transformado numa comédia hilária, que esculacha desde a própria série original, até clichês de filmes de ação hollywoodianos. E funcionou muito bem. Risadas garantidas num filme despretensioso e muito bem feito. Destaque para o momento em que a dupla de policiais experimenta a droga cujo tráfico estão tentando combater. Excelente comédia.


9 – Dredd (idem – Reino Unido/EUA/Índia – 2012)

Este aqui eu assisti aos 45 minutos do segundo tempo e confesso que fiquei algum tempo indeciso entre ele e Looper: Assassinos do Futuro. Optei pelo novo longa do Juiz Dredd por ser aquele filme do qual não esperava nada e que me surpreendeu bastante. É uma produção pequena, com orçamento modesto e sem grandes astros, bem diferente do filme do Stallone (do qual, admito, eu gosto). E é muito melhor. Violento, sanguinolento e muito eficiente, me lembrou dos melhores momentos do cinema de ação “ignorante” dos anos 80, do tipo “atire primeiro, pergunte depois”, com sangue jorrando aos borbotões a cada tiro. Para quem gosta do gênero, como eu, um prato cheio.


8 – 2 Coelhos (Brasil – 2012)

Quem disse que o Brasil não pode fazer filmes com bons efeitos especiais e com uma trama de ação voltada puramente para a diversão? 2 Coelhos é a prova que é possível e com um excelente resultado. E ele não se sustenta só nos efeitos e na edição frenética. Tire isso e o longa caminha muito bem por si só, provando que tem substância além do gimmick. A história policialesca cheia de reviravoltas me lembrou os filmes do Guy Ritchie e os diálogos são alguns dos melhores do cinema nacional. Que venham outros nesse estilo, precisamos deles.


7 – Intocáveis (Intouchables – França – 2011)

A melhor comédia do ano. Acabei assistindo sem saber nada sobre a história, apenas para conferir por que todo mundo estava falando tanto dele. Ri tanto que cheguei a lacrimejar em vários momentos. O ator Omar Sy, como Driss, é a grande força da produção, mas a história, baseada em fatos reais, tem muitos outros méritos. Só a cena de Driss e Philippe já vale o filme. Para rir até não poder mais.


6 – Operação Invasão (Serbuan Maut – Indonésia/EUA – 2011)

Este aqui passou em festivais e depois saiu direto em vídeo, com um nome extremamente genérico. Uma pena, pois o mundano título Operação Invasão não reflete o quanto essa co-produção Indonésia/EUA é excelente. Na trama, um batalhão da polícia indonésia invade um prédio decrépito para uma operação rotineira contra um traficante de drogas, mas as coisas saem terrivelmente errado. Ainda bem, pois assim temos um dos melhores e mais dementes filmes de ação que assisti em muito tempo. Tiroteios e artes marciais non-stop. Logo, logo vira cult. Enquanto isso vai pegando poeira nas prateleiras das poucas locadoras que sobraram.

Decepção


Prometheus (idem – EUA/Reino Unido – 2012)

Alien é um dos meus filmes favoritos. Portanto, quando Ridley Scott anunciou que retornaria ao universo dos xenomorfos para uma prequência, esperava algo do mesmo nível do filme de 1979. Ao invés disso, assisti algo do nível dos longas mais recentes do diretor, algumas boas ideias soterradas por um monte de equívocos. Mesmo com toda a boa vontade do mundo, não deu para evitar a decepção. O filme em nada lembra O Oitavo Passageiro. E em alguns momentos até parece um terrorzinho adolescente rasteiro. Mais sobre minha decepção com Prometheus, você pode ler neste post.

O pior


Sweatshop – A Última Rave (Sweatshop – EUA – 2009)

O pior slasher que eu vi em muito tempo. Uma porcaria completa, nada se salva. Cada aspecto da produção é tosco no último, dos atores ao trabalho de câmera. Não tem nem mesmo aquele fator de diversão trash onde você fica torcendo para adivinhar quem será o próximo ao morrer. Ao invés disso ficava contando os minutos para essa porcaria acabar e eu poder fazer qualquer coisa mais divertida, como ver tinta secar. Mais argumentos sobre porque esse filme é ruim de doer você encontra na minha resenha.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Falsos documentários: Parte final – F for Fake


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(F for Fake, EUA, 1973)
86min
Direção e roteiro: Orson Welles

O último filme dirigido por Orson Welles mostra de maneira lúdica, porém incisiva, uma dupla de falsificadores famosos. Welles investiga o excêntrico falsificador de obras de arte Elmyr de Hory e seu confidente e biógrafo, Clifford Irving, cuja biografia do magnata da mídia Howard Hughes, surgiu como a maior falsificação da década de 70.

Welles utiliza-se da estética documental, narração em over, depoimentos dos envolvidos, para, a todo momento, confundir o espectador. No início do filme, Welles aparece dizendo que o que ele mostrará na próxima hora é a absoluta verdade. Mas, fora o fato do longa ter mais de 60 minutos, Orson nos lembra no início do filme de que ele é um prestidigitador, um mestre na arte da enganação, e, a partir daí, ele passa a brincar com esse conceito do que é verdadeiro e do que é falso a todo o momento.

Nos é apresentada a história de Elmyr, que seria o maior falsificador de arte de todos os tempos. O diretor nos conta detalhes de sua vida e de sua carreira, intercalando depoimentos do próprio Elmyr. A grande questão é: seria Elmyr uma falsificação de Welles? Teria ele realmente existido ou ao menos ele teria sido baseado em alguém? É difícil para quem não pertence ao mundo das artes saber, pois sua história é tão bem fundamentada que é fácil crer em sua existência.

Depois Orson nos apresenta a história do parceiro de Elmyr, seu biógrafo, o escritor Clifford Irving, que teria sido ele próprio também um falsificador, enganando toda a América com uma falsa biografia sobre o magnata da imprensa, o recluso Howard Hughes. Irving nunca teria se encontrado com Hughes, e, portanto, a biografia que ele escreveu é uma fraude. Welles nos mostra várias teorias sobre o golpe de Irving, mas nunca esclarece a verdade.

O próprio diretor se compara a estes dois falsificadores. Em determinado momento, ele “interrompe” o filme para contar sua história, através de fotografias, trechos de filmes e depoimentos de gente que trabalhou com ele, de como começou no meio artístico como pintor, passando pelo teatro, e sua primeira grande falsificação, a transposição da obra A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, para o rádio, onde ele deixou pouco mais de um milhão de ouvintes apavorados achando que o falso noticiário (formato encontrado por ele para transpor a obra) era real.

Após pedir desculpas publicamente, Welles foi convidado para trabalhar em Hollywood, onde realizou Cidadão Kane, seu primeiro filme, considerado por muitos como o melhor longa-metragem de todos os tempos. Ironicamente, a história de Cidadão Kane se baseia na vida de Howard Hughes, ligando o próprio Orson Welles a Clifford Irving, que pode ou não ser criação sua.

No final, ainda há a história de Picasso, contada com maestria pelo próprio Orson, ligando o artista a Elmyr. A história é tão boa que quase nos faz querer acreditar que seja verdade, porém, este caso é contado depois de uma hora de filme.... Assim, Orson Welles deixa como legado uma obra-prima que nos demonstra com audácia a natureza ilusória da autoria e da verdade.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Falsos documentários: Parte IV - Zelig


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(Zelig, EUA, 1983)
79min
Direção e roteiro: Woody Allen

Leonard Zelig viveu nos EUA dos anos 20 e 30 e virou celebridade mundial por causa de sua peculiar doença. Zelig, um sujeito miúdo, sem graça e totalmente desprovido de personalidade, é tão ansioso em agradar às pessoas que o cercam (e de ser aceito por elas) que acaba desenvolvendo um extraordinário poder de mimetismo. Ele se torna um verdadeiro camaleão humano capaz de absorver involuntariamente as características físicas e psicológicas de quem estiver por perto, seja um influente político, um músico negro, um indivíduo gordo ou com traços orientais.

Partindo dessa premissa, Woody Allen realizou, em 1983, um falso documentário sobre essa “figura histórica”. A estranha trajetória de Zelig, interpretado pelo próprio Woody Allen, é relatada como se fosse um documentário convencional: narração em over, depoimentos de pessoas que conheceram Zelig de alguma forma, coletâneas de fotografias, cinejornais de época, é como se o filme inteiro fosse um gigantesco cinejornal, bem ao estilo do cinejornal do começo de Cidadão Kane.

Allen brinca o tempo inteiro com o verdadeiro e o falso: há depoimentos fictícios e reais, sequências forjadas de cinejornais sobre o fenômeno Zelig e cinejornais antigos verdadeiros, nos quais a figura de Zelig é inserida com sutileza e humor. Os efeitos são magníficos, méritos do fotógrafo Gordon Willis, e um meticuloso trabalho que durou três anos. Onze anos antes de Forrest Gump, de Robert Zemeckis, Allen coloca seu personagem próximo a Adolf Hitler, ao lado do papa Pio XI no Vaticano, e de outras celebridades da época, como Eugene O’Neill, F. Scott Fitzgerald, Charlie Chaplin, Josephine Baker e Charles Lindenbergh, entre outros.

A partir do momento em que a mídia descobre a existência de Zelig, ele é internado num hospital psiquiátrico, onde é tratado pela médica interpretada por Mia Farrow, embora ele, com muita naturalidade, logo comece a agir como um discípulo de Freud.

Enquanto isso, o país acompanha atentamente todas as notícias sobre ele, e o transformam numa espécie de herói, criando músicas a seu respeito e levando sua história para o cinema de ficção. Em determinados momentos, cenas desses filmes inspirados no caso Zelig (todos obviamente falsos) são mostrados para que tenhamos uma idéia do que foi o fenômeno.

Diferentemente dos dois filmes já comentados, este não tinha a menor intenção de confundir os espectadores, dado o absurdo da história e nem de se valer de uma jogada de marketing. A intenção de Woody Allen foi simplesmente de brincar com outra forma de narrativa, trazendo essa estética documental para os filmes de ficção.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte III – A Bruxa de Blair


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(The Blair Witch Project, EUA, 1999)
86min
Direção e roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez

Em outubro de 1994 três estudantes de cinema desapareceram na floresta perto de Burkittesville, Maryland, enquanto filmavam um documentário. Um ano depois, o filme foi encontrado. Com essa premissa, os dois diretores estreantes (Daniel Myrick e Eduardo Sánchez) enganaram muita gente, fazendo as pessoas acreditarem que os três estudantes realmente haviam desaparecido, e que o material que seria assistido pelos espectadores era verdadeiro.

Na verdade, foi um jeito bem criativo de promover o filme independente mais rentável da história. O longa custou aproximadamente 35.000 dólares, sem incluir a pós-produção, e arrecadou cerca de 140 milhões de dólares só nos EUA. 

Os diretores espalhavam cartazes pelas sessões do filme com as fotos dos atores, dizendo que estavam desaparecidos. Além disso, utilizaram-se da internet para espalhar o mito da bruxa de Blair como real, enganando muitas pessoas que entravam no site oficial do filme. Uma rede de TV americana chegou a fazer um documentário sobre o mito da bruxa de Blair achando que fosse real. Além dessa rede, vários jornais e revistas caíram no truque, noticiando os fatos ocorridos no filme como verdadeiros.

Assim, a película que havia estreado em poucas salas do circuito underground, logo pulou para a exibição nos multiplexes, angariando uma multidão de espectadores que queriam conferir o filme que gerou tanta polêmica.

E a pequena cidade de Burkittesville acabou sendo invadida por fãs do longa, curiosos e pessoas desavisadas do caráter ficcional da história. Essa invasão foi retratada no início de A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras (Book of Shadows: Blair Witch 2), continuação que não possui o caráter documental, sendo muito inferior ao primeiro, e por isso, foi um fracasso nas bilheterias. 

O filme foi realizado em Super 16 mm e depois ampliado para 35 mm. Além disso, foi usada uma câmera mini-DV que teria o propósito de filmar um making of do projeto. As imagens em Super 16 e em digital foram intercaladas na edição pelos diretores para dar mais dinamismo ao filme. Como consequência, existem horas de material inédito, que estão presentes na edição americana do DVD.

Os três atores filmaram eles mesmos praticamente tudo, portanto, temos o uso de câmera na mão. Além disso, deveriam entrevistar moradores da cidade que, sem que os três soubessem, haviam sido instruídos pelos diretores a darem as respostas certas para que as reações dos atores fossem as mais verdadeiras possíveis.

A partir do momento em que eles se perdem na floresta, praticamente todas as falas são improvisadas, e muitos dos fatos que acontecem com eles, como os barulhos estranhos à noite, foram provocados pelos diretores sem que eles soubessem. Assim, o medo deles se torna extremamente realista, o que ajudou as pessoas a acreditarem que se tratava de uma história real.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

10 discos do rock nacional: Parte final


Leia também:

Continuando a seleção dos meus 10 discos favoritos do rock made in Brasil. A maioria deles ainda está em catálogo. E aqueles que não se encontram mais nas lojas (aliás, mal se encontram lojas de discos hoje em dia) podem ser achados facilmente em sebos.


Raimundos – Raimundos (1994)

Esse pode até destoar um pouco de todos os outros da lista, mas para um moleque de 12, 13 anos, idade que eu tinha quando conheci a banda, isso era a última bolacha do pacote. A mistura de hardcore com forró (ou forrócore, como ficou conhecido) e as letras debochadas e desbocadas, cheias de palavrões e putarias, marcaram toda uma geração. Seu primeiro disco, independente, era o mais enérgico dos brasilienses, e até hoje meu favorito deles. Esse entra aqui pelo grande valor sentimental que permanece forte. Pô, até hoje eu sei cantar toda a letra de Puteiro em João Pessoa!


Baladas Sangrentas – Wander Wildner (1996)

Wildner, vocalista dos Replicantes, lança seu primeiro álbum solo, e cria o chamado punk brega, com pegada instrumental do primeiro e temática lírica do segundo. E eu agradeço. Esse negócio é bom demais, e é uma pena que ele não seja mais conhecido fora do circuito punk e alternativo. Eis mais um disco com hits em profusão, com destaque para Bebendo Vinho (essa ficou famosa na cover do Ira!), Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo e Um Lugar do Caralho. E eu racho de rir, toda vez, com as hilárias Empregada e Freira Desalmada, duas músicas que representam muito bem esse lado maroto cafona do músico. Ouça.


Bloco do Eu Sozinho – Los Hermanos (2001)

Esse aqui dispensa apresentações e muito já se falou sobre ele. Justificado. Bloco do Eu Sozinho realmente merece toda a fama recebida. Um baita disco, misturando Beatles, Weezer e marchinhas de carnaval em canções com um acabamento barroco (mas sem perder o pop de vista) como poucas vezes se viu no rock nacional, especialmente no mais recente. Essa banda é daqueles casos de ame ou odeie. Não tem jeito: ou eles são a última grande banda a aparecer por aqui, ou são uns malas pretensiosos. Mas para quem gosta, Bloco é o grande motivo desse amor.


Cosmotron – Skank (2003)

Sim, o Skank, aquela banda de dancehall, cheia de hits radiofônicos como Garota Nacional e É uma Partida de Futebol. Aí eles resolveram dar uma guinada na carreira, experimentar coisas novas e fazer rock. Já tinham ensaiado essa virada no disco anterior, Maquinarama. Mas é em Cosmotron que a realizam completamente. E surpreendem. Goste ou não do som anterior deles, eles sempre o fizeram com qualidade e um faro pop que poucos possuem. Mantiveram isso aqui, fazendo um conjunto de grandes canções, calcadas um pouco em Oasis, um pouco em rock setentista. Para ouvir e constatar: não é à toa que esses caras estão em evidência há tanto tempo.


Seu Minuto, Meu Segundo – Gram (2006)

Já essa banda é uma das grandes promessas não realizadas do nosso rock, e digo isso principalmente por este que é seu segundo e último disco. Se o primeiro ainda tinha cara de demo, cheio de canções com seu potencial não inteiramente desenvolvido, aqui eles entregam um baita disco, daqueles de fazer dar play novamente assim que ele acaba. Para mim, o Gram tinha uma característica especial. Todas as bandas de rock brasileiro inevitavelmente soam como tais. E isso não é uma crítica, apenas uma constatação. Seja pela vontade de misturar gêneros e estilos nacionais a seu som, seja por uma ginga até não intencional, mas já arraigada no DNA do músico brasileiro, toda as bandas transparecem essa característica. O Gram era das poucas que você podia apagar a faixa de vocal e o instrumental soava como uma banda inglesa. E isso era foda, principalmente a guitarra solo, que tinha uma qualidade como poucas vezes vi em bandas daqui. Sérgio Filho também era um excelente vocalista. Até hoje me dói que eles tenham acabado tão cedo. Só posso imaginar o que mais teriam feito se tivessem continuado. Uma pena. Quem não conhece, fica a recomendação, corra atrás.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte II – This Is Spinal Tap


Leia também:

(This Is Spinal Tap, EUA, 1984)
82min.
Direção: Rob Reiner
Roteiro: Rob Reiner, Christopher Guest, Michael McKean, Harry Shearer

A lendária banda britânica de heavy metal Spinal Tap acaba de lançar um novo disco, Smell the Glove, e anuncia uma turnê pelos EUA. O diretor Marty DiBergi, fã número um da dinossáurica banda, vê tal turnê como a oportunidade de ouro para homenageá-la documentando-a. A partir daí DiBergi passará a acompanhar todos os shows registrando-os, entrevistando os músicos e os membros da equipe da banda, e filmando tudo o que acontece nos bastidores da turnê.

DiBergi nos passa através de seu “rockumentário”, como ele chama seu trabalho, a emoção dos shows lotados do início da turnê até as humilhantes apresentações finais, onde a banda, já totalmente desprestigiada, acaba tocando num baile militar.
         
Nos mostra que os três integrantes da banda são um trio de “bestas quadradas” com suas entrevistas pretensiosas e seus egos inflados. Capta momentos marcantes de bastidores, como os problemas da censura com a capa do disco e o rompimento e eventual retorno do guitarrista com o resto do grupo.
         
Lendo esta sinopse é fácil acreditar que se trata de mais um documentário sobre uma banda das antigas que tenta um retorno e falha miseravelmente, uma história muito comum no mundo da música pop. Porém, o fato é que a banda Spinal Tap simplesmente não existe, o grupo foi formado somente para a realização do filme, o primeiro longa do diretor Rob Reiner (Conta Comigo, Louca Obsessão).
         
Escrito por ele em parceria com os atores Christopher Guest, Michael McKean e Harry Shearer, que interpretam respectivamente o guitarrista Nigel Tufnel, o vocalista e guitarrista David St. Hubbins e o baixista Derek Smalls, o filme nasceu quando os quatro receberam 10.000 dólares para escrever um roteiro e utilizaram o dinheiro para fazer um curta-metragem como demonstração do que tinham em mente. A ideia agradou, e o longa pôde ser realizado, sendo que várias cenas do curta acabaram entrando no filme.
         
Quem não conhece muito sobre rock, e até quem conhece, é facilmente enganado pelo filme passando a acreditar que a banda é real. Vários fatores contribuem para a veracidade da história:

- Os três atores principais são também competentes músicos e foram responsáveis pela criação das músicas do repertório do Spinal Tap. Além disso, nas cenas de shows eles estão realmente tocando.

- Diversos fatos ocorridos com a banda, como, por exemplo, passarem de meros imitadores dos Beatles a metaleiros progressivos, mesmo que exagerados para maiores efeitos cômicos, são inspirados em histórias que realmente aconteceram com bandas verdadeiras.

Somente nos créditos finais sobe uma mensagem dizendo que a banda Spinal Tap é fictícia. Esteticamente trata-se de um documentário convencional: Marty (o próprio Rob Reiner) faz uma pequena introdução sobre sua obra e passa a intercalar cenas dos shows com imagens de bastidores, festas, eventos promocionais, com entrevistas com a banda e pessoas envolvidas, sendo que ele mesmo assume o papel de entrevistador.

O filme segue uma certa linearidade mostrando de início o apogeu da banda com o sucesso dos primeiros shows até a decadência das últimas apresentações. As entrevistas e as cenas de bastidores seguem essa mesma ordem: no começo, tudo uma maravilha, e no final, brigas, discussões e a eventual saída de Nigel Tufnel e do empresário do trio por interferências da mulher do vocalista David St. Hubbins nos assuntos da banda (uma “homenagem” a Yoko Ono).

Porém o filme acaba bem, com a banda fazendo sucesso no Japão graças a uma onda de nostalgia que os coloca novamente no topo da parada de sucessos nas terras nipônicas. Para encerrar, um detalhe interessante: devido ao enorme sucesso do filme junto ao público roqueiro, a banda pulou da ficção para a realidade. Os três atores gostaram tanto da brincadeira que decidiram tornar a banda real, ainda que temporariamente, gravando discos e fazendo alguns shows especiais.

Em 2000 o filme foi relançado nos cinemas dos EUA e da Europa sendo seguido do lançamento de uma edição especial em DVD contendo cerca de uma hora e meia de material cortado da edição final.Ele permanece inédito em nossos cinemas e locadoras, podendo ser visto, contudo, em canais a cabo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

10 discos do rock nacional: Parte I


Falo muito sobre rock aqui neste blog. Não há como não fazê-lo, para mim é uma paixão tão grande quanto a literatura. A diferença é que, se eu me aventuro no campo literário com meus próprios trabalhos, no da música não dá. Me falta a habilidade. Limito-me a arranhar minha guitarra em casa e falar sobre música sempre que possível.

E, no entanto, até hoje só tinha usado esse espaço para falar de rock importado. Admito que 90% do que eu escuto de música é em língua inglesa, mas isso não quer dizer que eu também não goste de ouvir nada em meu idioma pátrio. Gosto, mas o problema é que é muito mais difícil achar algo que me agrade em português. Contudo, não é impossível.

Sendo assim, falarei aqui dos meus 10 discos preferidos do rock nacional. Isso não quer dizer, obviamente, que são os melhores, são simplesmente meus favoritos por gosto pessoal. E estão organizados em ordem cronológica e não de preferência. Vamos a eles.


Os Mutantes – Os Mutantes (1968)

Um dos discos mais impressionantes do rock em qualquer língua, de fazer frente a ninguém menos que os Beatles em sua fase mais criativa/experimental (não à toa, o quarteto de Liverpool é uma das grandes influências da banda). A estreia do grupo é insana, cheia de efeitos inovadores para a época, misturas inusitadas, bom humor e criatividade correndo solta. 11 faixas irretocáveis que servem como cartão de visitas daquela que é a banda de rock mais importante e influente do país. Obrigatório, bem como todos os outros discos do grupo com a formação clássica da banda, com o trio de frente Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee. 


Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973)

Outro disco de estreia de mais uma banda clássica. Assim como Os Mutantes, o Secos & Molhados também se notabilizou pela grande mistureba de gêneros e estilos em seu som. Mas o trio formado por João Ricardo, Ney Matogrosso e Gérson Conrad investia menos na molecagem e mais na poesia. E também em performances de palco incrementadas. Temos aqui, segundo a lenda, a fonte de inspiração do Kiss e suas maquiagens. Cheio de hits levados por excelentes arranjos de violão e a belíssima voz de Ney Matogrosso (um dos melhores cantores brasileiros, fácil), é outro que merece figurar em qualquer coleção. O bom é que foi lançado em CD no esquema “2 em 1”, junto com o segundo álbum, de 1974, que, embora não tenha tantas músicas conhecidas como este, também é excelente.


Nós Vamos Invadir Sua Praia – Ultraje a Rigor (1985)

Quando se fala em álbuns de estreia, creio que nenhum supera este da banda paulistana no quesito “entrar no mapa com os dois pés na porta”. O negócio chega a ser ignorante de tantos sucessos gerados por um disco só. Das 11 faixas, 8 são hits absolutos do rock nacional, tendo tocado à exaustão em rádios e programas de TV. E as outras 3, embora não tenham tido o mesmo destaque, também são muito boas. A mistura de rockabilly com surf music é boa, mas o grande destaque vai mesmo para as letras de Roger, que conseguem algo dificílimo (e que hoje em dia, dada a qualidade atual de nossa música popular, parece ter se tornado impossível): ser bem humoradas e ao mesmo tempo de extremo bom gosto e de uma inteligência ímpar, ao mesmo tempo em que critica as nossas muitas mazelas. Saudade do tempo em que o nosso rock tinha miolos.


O Concreto Já Rachou – Plebe Rude (1985)

De todas as bandas de Brasília, para mim a Plebe Rude é a melhor, e única que pode ser chamada de fato de banda punk. Eles tinham (têm, na verdade, já que ainda estão na ativa) a sonoridade mais agressiva e o engajamento político/social nas letras. E caramba, as músicas eram muito boas. Este EP de estreia tem sete faixas e todas elas são preciosas. Desde a abertura, com o clássico Até Quando Esperar até o encerramento com Brasília (música que retrata muito bem o que era a cidade), é uma pequena viagem punk e pós-punk de qualidade, com um trabalho de guitarras superior à média do rock brasileiro e a dinâmica entre os dois vocalistas, que dá um charme e um destaque a mais ao grupo.


V – Legião Urbana (1991)

Essa foi uma escolha difícil, visto que também poderia ter colocado aqui facilmente qualquer um dos três primeiros discos da Legião, todos eles ótimos. Acabei optando por este porque é o mais deprê (eu gosto de discos tristes) de sua discografia (à exceção do A Tempestade, mas esse eu acho um porre de tão chato) e onde a banda se esforçou no lado técnico, onde eles sempre foram bastante fracos. Os caras, que eram maus músicos até para os padrões do punk, se propuseram a fazer um disco de pegada progressiva, e se saíram bem. Os mais de 11 minutos da bela Metal Contra as Nuvens são um bom exemplo disso.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte I - Introdução


Nanook, realizado em 1922 por Robert Flaherty é considerado o primeiro documentário da história do cinema. Flaherty filmou o cotidiano de uma família de esquimós e seus hábitos de caça e pesca.
         
Porém, ele registrou tais hábitos do modo como eram feitos há muito tempo. Por exemplo, em 1922 os esquimós já utilizavam armas de fogo para caçar, fato omitido por Flaherty, que os teria instruído a caçarem com arpões, lanças e flechas.
         
Outro ponto importante é que Flaherty provavelmente instruía os esquimós a como se posicionarem em cena, já que ele precisava armar a câmera, e filmava determinadas cenas de vários ângulos. Ou seja, os esquimós não foram realmente retratados do modo como eles viviam e se comportavam, o que trás uma importante questão: até que ponto os documentários retratam com veracidade o tema abordado por ele, já que no momento em que uma câmera é colocada no ambiente, toda a espontaneidade do mesmo é alterada, mesmo que involuntariamente?
         
Pensando nisso, alguns cineastas norte-americanos passaram a se utilizar da linguagem dos documentários para subverter os mesmos, contar suas histórias de um jeito mais criativo e divertido, enganar os espectadores como jogada de marketing, ou simplesmente homenagear o gênero.
         
O que nos trás a outra questão fundamental: Qual a definição de documentário? A definição convencionalmente mais aceita é a de que documentário é a retratação de determinadas rotinas do tema escolhido, ou entrevistas e depoimentos sobre o tema, ou ainda tudo junto.
         
É a representação da realidade mediada pela linguagem. Porém, o que ocorre quando o tema a ser documentado é forjado especialmente para o filme? Ainda que em Nanook os esquimós não fizessem mais algumas funções do jeito mostrado por Flaherty, outras atividades ainda eram exercidas da mesma forma, e mais importante, eram esquimós legítimos.
         
Com o passar dos anos, o cinema documental norte-americano ganhou alguns exemplos de filmes que se utilizam da estética dos documentários para mostrar ao espectador histórias e fatos que não são reais, quebrando a barreira entre filmes documentários e filmes de ficção. Tais diretores criam o tema que será documentado e podem até passar a tratá-los como se fossem verdadeiros.
         
Existem três bons exemplos de falsos documentários que serão discutidos individualmente nas próximas semanas: Zelig, de 1983; This Is Spinal Tap, de 1984; A Bruxa de Blair, de 1999; e possivelmente o melhor representante do gênero: F for Fake, realizado por Orson Welles em 1973.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Os filmes da Marvel – Parte final


Leia também:

Concluindo a retrospectiva de filmes baseados nos personagens da Marvel Comics. Todas as películas desta lista e das partes anteriores chegaram ao Brasil, mesmo que alguns tenham saído apenas em vídeo.


O Justiceiro: Em Zona de Guerra (2008)

A terceira tentativa de fazer um bom filme do Justiceiro. Esse aqui bateu na trave. Ray Stevenson é a imagem escarrada da versão Max do personagem (especialmente das capas de Tim Bradstreet), a diretora Lexi Alexander realiza toda a violência característica que um filme dele merece, mas a dupla de vilões caricatos, destoando completamente do resto da produção, coloca tudo a perder e descamba em mais um filme ruim, meia-boca no máximo. Outro fracasso de bilheteria, e parece que agora o Justiceiro não volta mais ao cinema...


X-Men Origens: Wolverine (2009)

O primeiro filme solo de um personagem do universo dos X-Men. Não poderia ser outra escolha a não ser o mais popular deles. Contudo, nessa mania de querer encaixar personagens violentos em filmes de censura livre, as garras de Wolvie se tornam inúteis. A história é ruim, cheia de buracos, personagens adorados (como Deadpool) são completamente descaracterizados e o filme ainda sofre do mesmo erro de X-Men – O Confronto Final: a grande concentração de mutantes conhecidos por metro quadrado, para satisfazer os instintos “Onde Está Wally?” dos fãs, mas que nada ajudam na trama. Péssimo.


Homem de Ferro 2 (2010)

Repete os mesmos erros da primeira aventura do ferroso, mas não copia todos os acertos. Resultado: é inferior ao primeiro, mas a verdade é que não é tão ruim quanto foi alardeado à época. É o tipo de filme que melhora muito quando revisto. Tony Stark continua um ótimo personagem, há uma participação maior de Nick Fury, a estreia da Viúva Negra e boas cenas de ação. Merece uma reavaliação.


Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)

Baseado numa HQ do selo Icon, de autoria de Mark Millar e John Romita Jr., imagina o que aconteceria no mundo real, se um adolescente nerd resolvesse imitar os heróis dos quadrinhos e se tornar um vigilante mascarado. Hilário, violento, e completamente insano. Que o diga a Hit-Girl, aquela menininha dá medo. Uma ótima pedida. Você encontra a resenha aqui.


Thor (2011)

Sempre achei o personagem uma porcaria (salvo a versão ultimate) e suas HQs intragáveis, mas o filme foi uma grata surpresa. Não imaginava que seria tão engraçado quanto foi, beirando o pastelão em alguns momentos. Mas de resto, é apenas ok no geral. E o Gavião Arqueiro faz uma ponta, dando mais um passo para a formação dos Vingadores.


X-Men: Primeira Classe (2011)

Tinha cara de que seria uma bomba, muito por culpa do material de divulgação tosco (especialmente os cartazes), mas revelou-se uma grande surpresa positiva. Recém saído do ótimo Kick-Ass, Matthew Vaughn entrega mais um bom filme, o melhor da franquia mutante depois de X-Men 2, ainda que ele não se encaixe exatamente com a trilogia anterior, graças a muitas liberdades do roteiro. Mas a charmosa ambientação história e, sobretudo, o Magneto de Michael Fassbender, mais que compensam essas pequenas faltas. Leia a resenha.


Capitão América: O Primeiro Vingador (2011)

Como no caso do Thor, este era mais um personagem pelo qual não tinha qualquer simpatia, e só fui ver o filme por “obrigação nerd”. E novamente gostei do que vi. Aventura à moda antiga, com jeitão de matinê. E o último filme antes de finalmente juntar toda essa turma como Vingadores. Vale a assistida.


Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança (2012)

Melhor que o primeiro, colocando a história completamente de lado e centrando na ação, assumindo de vez o trash. Contudo, completamente desnecessário e facilmente esquecível. E Nicolas Cage, totalmente surtado, desistiu de vez de se levar a sério como ator. Se passar na TV, assista. Se não, sua vida não mudará em nada por causa disso.


Os Vingadores – The Avengers (2012)

Os planos a longo prazo do Marvel Studios dão bons frutos no primeiro filme que junta toda a galera como os maiores heróis da Terra. Um dos melhores blockbusters recentes, bem como uma das melhores comédias dos últimos tempos, graças à grande quantidade de piadas (todas ótimas) presentes. Cheio de referências e momentos saídos diretamente das páginas dos quadrinhos, é um filme cheio de nerd pride e o melhor longa do Marvel Studios até aqui. Conseguiram cumprir plenamente o que prometeram desde o primeiro Homem de Ferro. Leia aqui a resenha.


O Espetacular Homem-Aranha (2012)

O reboot do amigão da vizinhança é a maior decepção com um filme de super-herói que eu já tive. O personagem mais popular da Marvel merecia, especialmente após a grande trilogia de Sam Raimi, um tratamento muito melhor nas telas, e não essa produção mequetrefe. Tudo piorou, a história dos pais de Peter – que não interessa a ninguém – a origem do herói, o vilão, o uniforme, os exageros de roteiro. A condução morna do diretor Marc Webb é só a cereja dessa produção chocha de dar dó. Vão ter que melhorar muita coisa na sequência, mas o melhor a fazer seria mesmo rebootar de novo a franquia e trazer Sam Raimi de volta. É só não empurrarem o Venom pra cima dele que fica tudo certo.