Por
motivos de força maior, este blog entra
em um recesso forçado durante esta semana. Voltarei a atualizar (espero) na
semana que vem.
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
A chegada da idade na falta de sono
Eu
gosto de dormir. O ato abre as portas para o mundo dos sonhos, bem mais
interessante que a vida real. Ou seja, não sou da galera que considera dormir
uma perda de tempo. Pelo contrário. Acho que exercita a criatividade e fornece
material para incontáveis histórias.
Ultimamente,
contudo, ando dormindo pouco. Não é insônia. Apenas passei a dormir bem menos
do que dormia antes. Talvez seja um sinal da chegada da idade. Não dizem que
velho dorme pouco?
Não
estou com nenhum problema pessoal e nem preocupado com nada para ser algo de
fundo nervoso. Simplesmente tenho dormido menos. Acordo normalmente,
descansado, mais cedo que o de costume. Já tentei dormir mais cedo, não dá,
fico rolando na cama.
Recentemente
resolvi fazer um experimento. Como eu odeio acordar no susto com o som
irritante do meu despertador, resolvi desligá-lo e acordar sozinho, fosse que
hora fosse. Meu relógio interno já se adaptou ao despertador, me acordando
sempre antes dele tocar.
Não
deu certo, mesmo sabendo que o despertador não está ligado, acordo mais ou
menos no mesmo horário de antes, coloque aí uns 20 minutos para mais ou para
menos. Finais de semana fico acordado até mais tarde, aproveitar melhor, eu
gosto da noite, durante um longo período quase troquei o dia por ela. Também
não importa, acordo cedo mesmo assim. Que diabos vou fazer acordado às oito da
madrugada em pleno domingão? Não sei, mas aparentemente meu corpo acha que deve
pular da cama nesse horário.
Se
eu forçar a barra, ficando uns dois dias seguidos indo pra cama bem tarde,
eventualmente consigo acordar mais tarde, mas mesmo assim longe das indicadas
oito horas de sono. E tudo bem, tirando as pescadas no começo da noite. Coisa
de velho. Seria esse o modo como meu corpo me diz: ei, vamos ficar acordado?
Você não tem mais tanto tempo pra desperdiçar como antigamente.
Como
consequência, os dias estão maiores. As ideias, por outro lado, mais escassas.
A idade chega, o sono se manda e o reino dos sonhos fica mais distante. Isso
daria uma boa história do Sandman...
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Falsos documentários: Parte final – F for Fake
Leia também:
(F
for Fake, EUA, 1973)
86min
Direção e roteiro: Orson
Welles
O
último filme dirigido por Orson Welles mostra de maneira lúdica, porém
incisiva, uma dupla de falsificadores famosos. Welles investiga o excêntrico
falsificador de obras de arte Elmyr de Hory e seu confidente e biógrafo,
Clifford Irving, cuja biografia do magnata da mídia Howard Hughes, surgiu como
a maior falsificação da década de 70.
Welles
utiliza-se da estética documental, narração em over, depoimentos dos envolvidos, para, a todo momento, confundir o
espectador. No início do filme, Welles aparece dizendo que o que ele mostrará
na próxima hora é a absoluta verdade. Mas, fora o fato do longa ter mais de 60
minutos, Orson nos lembra no início do filme de que ele é um prestidigitador,
um mestre na arte da enganação, e, a partir daí, ele passa a brincar com esse conceito
do que é verdadeiro e do que é falso a todo o momento.
Nos
é apresentada a história de Elmyr, que seria o maior falsificador de arte de
todos os tempos. O diretor nos conta detalhes de sua vida e de sua carreira,
intercalando depoimentos do próprio Elmyr. A grande questão é: seria Elmyr uma
falsificação de Welles? Teria ele realmente existido ou ao menos ele teria sido
baseado em alguém? É difícil para quem não pertence ao mundo das artes saber,
pois sua história é tão bem fundamentada que é fácil crer em sua existência.
Depois
Orson nos apresenta a história do parceiro de Elmyr, seu biógrafo, o escritor
Clifford Irving, que teria sido ele próprio também um falsificador, enganando
toda a América com uma falsa biografia sobre o magnata da imprensa, o recluso
Howard Hughes. Irving nunca teria se encontrado com Hughes, e, portanto, a
biografia que ele escreveu é uma fraude. Welles nos mostra várias teorias sobre
o golpe de Irving, mas nunca esclarece a verdade.
O
próprio diretor se compara a estes dois falsificadores. Em determinado momento,
ele “interrompe” o filme para contar sua história, através de fotografias,
trechos de filmes e depoimentos de gente que trabalhou com ele, de como começou
no meio artístico como pintor, passando pelo teatro, e sua primeira grande
falsificação, a transposição da obra A
Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, para o rádio, onde ele deixou pouco mais
de um milhão de ouvintes apavorados achando que o falso noticiário (formato
encontrado por ele para transpor a obra) era real.
Após
pedir desculpas publicamente, Welles foi convidado para trabalhar em Hollywood,
onde realizou Cidadão Kane, seu
primeiro filme, considerado por muitos como o melhor longa-metragem de todos os
tempos. Ironicamente, a história de Cidadão
Kane se baseia na vida de Howard Hughes, ligando o próprio Orson Welles a
Clifford Irving, que pode ou não ser criação sua.
No
final, ainda há a história de Picasso, contada com maestria pelo próprio Orson,
ligando o artista a Elmyr. A história é tão boa que quase nos faz querer
acreditar que seja verdade, porém, este caso é contado depois de uma hora de
filme.... Assim, Orson Welles deixa como legado uma obra-prima que nos
demonstra com audácia a natureza ilusória da autoria e da verdade.
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Argo
Ben
Affleck é muitas coisas. Brother de
Matt Damon e metade da dupla ganhadora do Oscar pelo roteiro de Gênio Indomável. Um ator de razoável
para baixo. Amigão de Kevin Smith, um dos poucos que conseguem lhe tirar boas
performances. Um dos responsáveis pelo fracasso do filme do Demolidor, graças a
mais uma de suas famosas más atuações.
Recentemente,
também passou a ser diretor. E essa tem se mostrado sua melhor faceta. Seu
terceiro filme, Argo, é simplesmente
impressionante, e mostra como ele evoluiu horrores na cadeira de diretor. Um
dos melhores filmes do ano, sem dúvida.
No elenco, além do próprio
Affleck, estão Bryan Cranston,
Alan Arkin, John Goodman, Tate Donovan, Clea DuVall, Kyle Chandler e Richard
Kind.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Falsos documentários: Parte IV - Zelig
Leia também:
(Zelig, EUA, 1983)
79min
Direção e roteiro: Woody Allen
Leonard
Zelig viveu nos EUA dos anos 20 e 30 e virou celebridade mundial por causa de
sua peculiar doença. Zelig, um sujeito miúdo, sem graça e totalmente desprovido
de personalidade, é tão ansioso em agradar às pessoas que o cercam (e de ser
aceito por elas) que acaba desenvolvendo um extraordinário poder de mimetismo.
Ele se torna um verdadeiro camaleão humano capaz de absorver involuntariamente
as características físicas e psicológicas de quem estiver por perto, seja um
influente político, um músico negro, um indivíduo gordo ou com traços
orientais.
Partindo
dessa premissa, Woody Allen realizou, em 1983, um falso documentário sobre essa
“figura histórica”. A estranha trajetória de Zelig, interpretado pelo próprio
Woody Allen, é relatada como se fosse um documentário convencional: narração em
over, depoimentos de pessoas que
conheceram Zelig de alguma forma, coletâneas de fotografias, cinejornais de
época, é como se o filme inteiro fosse um gigantesco cinejornal, bem ao estilo
do cinejornal do começo de Cidadão Kane.
Allen
brinca o tempo inteiro com o verdadeiro e o falso: há depoimentos fictícios e
reais, sequências forjadas de cinejornais sobre o fenômeno Zelig e cinejornais
antigos verdadeiros, nos quais a figura de Zelig é inserida com sutileza e
humor. Os efeitos são magníficos, méritos do fotógrafo Gordon Willis, e um
meticuloso trabalho que durou três anos. Onze anos antes de Forrest Gump, de Robert Zemeckis, Allen
coloca seu personagem próximo a Adolf Hitler, ao lado do papa Pio XI no
Vaticano, e de outras celebridades da época, como Eugene O’Neill, F. Scott
Fitzgerald, Charlie Chaplin, Josephine Baker e Charles Lindenbergh, entre
outros.
A
partir do momento em que a mídia descobre a existência de Zelig, ele é
internado num hospital psiquiátrico, onde é tratado pela médica interpretada
por Mia Farrow, embora ele, com muita naturalidade, logo comece a agir como um
discípulo de Freud.
Enquanto
isso, o país acompanha atentamente todas as notícias sobre ele, e o transformam
numa espécie de herói, criando músicas a seu respeito e levando sua história
para o cinema de ficção. Em determinados momentos, cenas desses filmes
inspirados no caso Zelig (todos obviamente falsos) são mostrados para que
tenhamos uma idéia do que foi o fenômeno.
Diferentemente
dos dois filmes já comentados, este não tinha a menor intenção de confundir os
espectadores, dado o absurdo da história e nem de se valer de uma jogada de
marketing. A intenção de Woody Allen foi simplesmente de brincar com outra
forma de narrativa, trazendo essa estética documental para os filmes de ficção.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Muse – The 2nd Law
Eu
adoro o Muse. Eles são pomposos,
megalomaníacos, exagerados ao ponto do histriônico. E ainda assim funciona para
eles que é uma beleza. Nesse novo disco eles flertam com o tal do dubstep e
também com o funk/pop do Prince,
conforme já falei nesse post.
Não
é o melhor trabalho deles, mas é um ótimo disco. E ao menos mostra que eles
continuam irrequietos em sua vontade de experimentar e adicionar novos
elementos ao seu som. É algo a se respeitar.
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Frankenweenie
A
nova animação dirigida por Tim Burton é baseada em um de seus primeiros
curtas-metragens, de 1984. No filme, o menino Victor Frankenstein reanima o
cadáver de seu cão Sparky, após este morrer tragicamente.
Tem
todas as marcas registradas de Tim Burton, o visual deslumbrante, os
personagens bizarros e a trama cheia de elementos mórbidos, mas de condução
leve e divertida. E, no entanto, é inegável que nos últimos anos o diretor anda
apenas se repetindo e seus filmes não possuem mais a mesma força de outrora.
Esse aqui se encaixa nessa categoria. É ok, mas nada marcante.
No
elenco, as vozes de Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Landau, Winona Ryder, Charlie
Tahan e Conchata Ferrell.
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