sexta-feira, 29 de junho de 2012

Discografia Nirvana – Parte final


Leia também:

Nesta última parte da Discografia Nirvana, só discos póstumos. Temos coletâneas, disco ao vivo, coletânea ao vivo e compilações de raridades. Todos os álbuns, incluindo os da primeira parte da matéria (à exceção de Icon e da caixa With the Lights Out) foram lançados no Brasil, e a maioria deles ainda está em catálogo.

 

 From the Muddy Banks of the Wishkah (1996)

Tenho um carinho especial por este disco, uma coletânea de faixas ao vivo, registradas entre 1989 e 1994, pois foi o primeiro disco da banda que ouvi. E chapei completamente, já a partir da abertura, numa introdução com Cobain fazendo um singelo teste de som berrando ao microfone. Sem sombra de dúvida, foi um dos álbuns que eu mais ouvi na vida. E, por um ano, eu o escutava quase todo dia. Os principais clássicos da banda estão aqui, num tracklist que passa muito bem por todos os seus discos. Sendo assim, temos todos os sucessos acrescidos da energia e selvageria que marcaram suas apresentações ao vivo. Indispensável.

Nota: 10


Nirvana (2002)

A primeira coletânea da banda teve como grande atrativo a inclusão de You Know You’re Right, uma das últimas faixas inéditas da banda divulgadas. A música é boa, mas não é marcante. Já a coletânea em si é o básico do básico, com faixas dos três discos de estúdio, mais duas de Incesticide e encerrando com outras do Acústico MTV. Contudo, Bleach foi praticamente ignorado, representado apenas por About a Girl. Para quem quer conhecer a banda, até que serve como introdução à introdução, mas para quem quiser uma coletânea de responsa, eu recomendo mesmo é o From the Muddy Banks of the Wishkah.

Nota: 7 


With the Lights Out (2004)

Este box set de raridades, mostra que o baú de sobras da banda não é tão fundo assim. Entre faixas ao vivo e lados b já conhecidos, o grosso do material dividido em três discos é formado por demos, muitas delas caseiras, só voz e violão. É interessante para quem gosta de saber como nasce uma canção, mas por outro lado, a esmagadora maioria delas não tem muita qualidade de gravação ou mesmo capricho técnico, afinal, são demos. O ponto alto da caixa é mesmo o DVD que acompanha, com muitas imagens raras da banda, desde o trio em começo de carreira, até a passagem pelo Brasil, com eles tocando uma música nos estúdios da BMG no Rio de Janeiro. Mas a caixa em si, é recomendável apenas para fãs completistas.

Nota: 6


Sliver: The Best of the Box (2005)

Para quem não tem poder aquisitivo para comprar a caixa With the Lights Out, mas gostaria de ter um gostinho do material contido nela, foi lançada essa coletânea com “o melhor da caixa”. São 22 faixas que dão uma geral nos três discos de material do box set. Boa iniciativa para deixar as raridades acessíveis à maior parcela de público possível, mas sofre dos mesmos problemas já mencionados logo acima. Também é um produto indicado somente para os muito fanáticos.

Nota: 6


Live at Reading (2009)

Um dos shows mais marcantes da banda, no Reading Festival, em agosto de 1992, com o Nirvana no auge do sucesso de Nevermind, chega em disco (e também em DVD) com registro na íntegra. Banda afiada, muito barulho, excelente setlist, privilegiando, claro, seu segundo disco (com a presença de onze faixas), e mesmo com In Utero sendo lançado apenas no ano seguinte, tourette’s, All Apologies e Dumb já dão as caras. Outro excelente álbum ao vivo.

Nota: 9


Icon (2010)

Coletânea mais recente, é de uma pobreza extrema. Enquanto a compilação anterior, Nirvana, tinha 15 faixas, esta tem apenas 11, todas elas já presentes no disco da capa preta. A única diferença é que a versão de About a Girl aqui é a acústica e não a de Bleach. Um best of totalmente desleixado e desnecessário, quando o anterior tem mais músicas e ainda está em catálogo (ao menos lá fora). Mas eu insisto, se é para escolher uma coletânea, a grande pedida é From the Muddy Banks!

Nota: 4

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A Era do Gelo 4


Já não sou um grande apreciador de longas de animação. A série A Era do Gelo então, sempre considerei simpática, mas totalmente esquecível. Este quarto filme é o primeiro sem Carlos Saldanha na direção, mas manteve o nível de qualidade dos anteriores, para o bem ou para o mal. Divertidinho, mas nada marcante.

Na dublagem original, um grande elenco: Ray Romano, Denis Leary, John Leguizamo, Aziz Ansari, Peter Dinklage, Nick Frost, Queen Latifah, Jennifer Lopez, Nicki Minaj, Kunal Nayyar, Simon Pegg, Seann William Scott, Patrick Stewart, Wanda Sykes e Alan Tudyk. Mas como assisti ao filme dublado em português, não escutei nenhuma dessas vozes...

Leia aqui minha resenha no Delfos.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Vida e Obra de um Ninguém – Episódio 3


Este episódio é uma singela homenagem a dois dos meus militares favoritos da cultura pop: o sargento Pincel, dos Trapalhões, e o instrutor da primeira metade do Nascido para Matar, um dos meus filmes favoritos do Kubrick.

O engraçado é que a ideia para essa história me veio justamente do manual do exército citado no final do capítulo (relaxe, não é nenhum spoiler), que não só existe mesmo, como de fato ensina como cavar uma trincheira. Você sabe, um buraco grande o bastante para você se esconder por inteiro e não levar bala. Literatura de primeira. Tanto o manual quanto a Sitcom!

Leia aqui o Episódio 3 – Recruta Zero.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Se Chaves fosse feito hoje


— Cara, cê já pensou se o Chaves fosse feito hoje?
— Como assim?
— Se ao invés de ter sido filmado em mil novecentos e guaraná com rolha ele fosse filmado hoje em dia.
— Não dá.
— Como não?
— Já morreu metade, e a outra metade já tá tudo velha.
— Cê me entendeu, se eles tivessem a mesma idade daquela época.
— Mesmo assim não ia dar.
— E cê vai dar argumentos ou vai continuar falando gracinha?
— Antigamente era tudo mais inocente, hoje é tudo mais na cara, mais hardcore.
— Dá um exemplo.
— Vamo lá: a Chiquinha sai de casa, atravessa o pátio e bate no barril do Chaves. Ele se levanta, mas não é possível ver suas mãos.
— Por que não?
— Já chego lá. Lembra que ela queria namorar com o Chaves, né?
— Lembro.
— Então: ela já ia chegar querendo ficar com ele, perguntando na lata.
— Isso não ia ser tão ruim assim.
— É que cê não sabe a resposta dele. Ele ia dizer que não podia no momento porque tava pipando. Aí ele levanta a mão, revelando um cachimbo de crack e dando uma tragada.
— Isso foi grotesco.
— Eu não disse que ia ser bonito, só tô explicando como ia ser.
— Vou fingir que acredito. E o Quico.
— Boyzinho, com terninho de marinheiro, no meio dos marginais? Ia rodar bonito. O Chaves ia ameaçar ele com uma faca e roubar o celular dele pra descolar uma garrafa de tequila, aquela com verme dentro, pra esquentar aquele barril de noite.
— Pra começar, ele não mora no barril, mora no 8. E de onde cê tirou esse celular?
— Ué, a ideia não era o negócio ser filmado hoje? Até minha sobrinha de dez anos tem celular! Ela vai ligar pra quem, pros Ursinhos Carinhosos?
— E o Quico?
— Ia chorar na parede. Mas depois a mãe dele dava uma grana pra ele comprar outro telefone.
— E aí o Chaves roubava de novo...
— Agora cê sacou o círculo vicioso. E por falar na mãe do Quico, se ela estapeasse o Seu Madruga, sabe o que ele ia fazer?
— Descer a porrada na Dona Florinda?
— Que nada, esse aí é esperto, é dos nossos, ia terceirizar o serviço. Contratava o Chaves pra dar cabo da velha a troco de umas pedrinhas de crack e um sanduíche de presunto.
— E aí ele fumava as pedras, comia o sanduíche, pulava a janela da Dona Florinda e...
— E que eu não quero nem imaginar. Só sei que ia pular de volta pro pátio com as mãos todas sujas de sangue. Aí olhava pra câmera e soltava um “foi sem querer querendo”.
— Pra que parar na Dona Florinda? Já que é assim, a primeira vez que o Sr. Barriga aparecesse pra cobrar os 14 meses de aluguel, o Madrugão botava o Chaves em ação de novo.
— É o que eu tô te dizendo. O velho barrigão ia levar uma daquelas tijoladas clássicas na cabeça, manja? Com o retângulo de isopor pintado? E mais outra, e outra, e outra. Ia ser uma chacina. Ia sair levado pela Cruz Vermelha, “morrido”.
— E o Chaves?
— Ah, ele ia chorar, claro. Soltava aqueles “pi-pi-pi-pi-pi” dele, mas fazia o serviço.
— Cê tá acabando com as minhas memórias de infância.
— Foi você que perguntou. Aguenta aí que já tá acabando.
— Ah, tem final?
— Claro que tem. Acaba na sala de aula do Professor Girafales. O maestro linguiça lá, nem aí, trocando torpedo de sacanagem com a nêga que ele catar depois da finada Dona Florinda e a sala aquela algazarra.
— Tirando o celular, até que também não é tão diferente assim.
— Nessas entra os PMs, ou seja lá o que eles tenham em Acapulco.
— O programa não se passa em Acapulco.
— Foda-se, vai ficar se apegando a detalhes?
— E o que é que cê tá fazendo até agora?
— Cacete, quer saber como acaba ou não?!
— Quero, fala de uma vez.
— Eles invadem a sala já algemando o Chaves do 8. Rodou, moleque, e o escambau.
— Matou um ricaço, se fodeu, é isso?
— E não? Aí os PMs lá, arrastando ele pro camburão, ele olha pra câmera de novo e fala “é que comigo ninguém tem paciência...”.
— Até que amarrou direitinho.
— É, só que se fosse assim não ia durar trinta anos, ia durar um mês!
— Tem razão...
— No quê?
— Eu devia ter ficado quieto.
— Então por que pergunta?

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Discografia Nirvana – Parte I


Após um período dedicado aos quadrinhos, a discografia está de volta, agora para analisar a obra do Nirvana, mais um dos representantes do meu Top 5 de bandas favoritas de todos os tempos, ocupando a honrosa terceira posição. Foi uma das bandas da minha adolescência, ainda que eles já não existissem mais quando eu era adolescente. Mas isso só vem a comprovar a força de sua música, relevante até hoje.

O trio formado em 1987 na cidadezinha de Aberdeen, Washington por Kurt Cobain (vocais e guitarra), Krist Novoselic (baixo) e Chad Channing (bateria), mais tarde substituído por um tal de Dave Grohl, começou como uma típica banda alternativa de garagem, misturando punk, hardocre, hard rock e pop em músicas diretas, barulhentas e, no entanto, bastante melódicas.

Não demorou para a banda se tornar a maior representante do chamado movimento grunge, nascido na região de Seattle no começo dos anos 1990 e, com seu segundo álbum, Nevermind, ultrapassar a barreira independente e atingir o mainstream, mudando para sempre o panorama da música pop mundial. Se aqueles cabeludos esfarrapados podiam ser populares e vender milhões de discos, mantendo sua integridade artística, qualquer um poderia fazer o mesmo.


Bleach (1989)

O primeiro disco da banda, gravado por míticos 600 dólares emprestados pelo guitarrista Jason Everman, que, por sua vez, não tocou uma nota no álbum. Como era de se imaginar, falta requinte à produção e o som do grupo ainda está bastante cru. E, comparado a Dave Grohl, o baterista original, Chad Channing, que toca nesse disco, é praticamente um aprendiz. Contudo, muitas das marcas registradas da banda, a fusão de punk, alternativo e pop, já aparece bem representada em faixas como Blew, About a Girl, School, Negative Creep, Downer e na cover de Love Buzz. Contudo, as outras faixas são apenas regulares. É um disco que merece ser redescoberto.

Nota: 8 


Nevermind (1991)

O que falar desse disco que milhares de veículos de jornalismo musical e fãs já não tenham falado ao longo desses 21 anos? Comentar a importância desse disco para a cena rock dos anos 90 e comentar seu status como um dos últimos grandes trabalhos do gênero é chover no molhado. Ao invés disso é só conferir o tracklist do disco e constatar: é basicamente um greatest hits. Das 12 faixas, apenas Lounge Act não ganhou exposição. O que também não quer dizer nada, porque a faixa em questão, assim como todas as outras, também é muito boa. Eis aqui um álbum verdadeiramente merecedor da alcunha conquistada: clássico.

Nota: 10


Incesticide (1992)

Coletânea de lados b e sobras de gravação, lançada na esteira do estouro de Nevermind. Tem faixas tipicamente nirvânicas, como Dive, Been a Son e Aneurysm, uma das melhores da banda (Sliver) e covers dos Vaselines (Molly’s Lips e Son of a Gun), uma das bandas favoritas de Kurt Cobain. E tem também coisas mais chatas e arrastadas, como Hairspray Queen, Big Long Now e Aero Zeppelin, que mostra a banda nos primórdios, ainda em busca de um direcionamento musical melhor. Não é um disco essencial, mas é cheio de bons momentos.

Nota: 8 


In Utero (1993)

Por mais clássico e importante que seja Nevermind, devo admitir que várias vezes gosto muito mais de seu sucessor. Isso porque ele pega a fórmula do alternativo pop de seu antecessor e a leva um passo além, explorando os limites do comercialmente viável, testando a paciência do grande público com muita distorção e microfonias, em canções mais difíceis, como se quisesse afugentar os fãs de ocasião e manter apenas os verdadeiros. Só sei que uma das minhas favoritas, Scentless Apprentice, está aqui. E nem a chata faixa bônus Gallons of Rubbing Alcohol Flow Through the Strip é capaz de arranhar o brilho do último disco de estúdio do então trio. Despedida em grande estilo.

Nota: 9,5


MTV Unplugged in New York (1994)

Poucos meses antes de Kurt Cobain se matar, a banda gravou este acústico para a MTV (também lançado em DVD). Muitos consideravam que seria um tiro no pé o grupo conhecido pela fúria e pelo peso despir-se da eletricidade. O resultado, contudo, é um dos melhores acústicos da história, com o agora quarteto (com a adição do guitarrista Pat Smear) mostrando e ressaltando toda a melodia que ficava soterrada pelos pedais de distorção. Um setlist muito bem escolhido, privilegiando as faixas mais adaptáveis ao formato, junto de várias covers, culminando no encerramento arrepiante, com Where Did You Sleep Last Night, de Leadbelly. Mais um grande disco.

Nota: 10 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A festinha acaba quando o anfitrião apaga


“Tô pensando em fazer uma festinha, como nos velhos tempos.”
“Tá apoiado.”
“Vou chamar uns camaradas...”
“Retiro o apoio, e a mulherada?”
“A mulherada os camaradas trazem, cada um traz umas três e tá de boa.”
“E cabe toda essa galera aqui?”
“Claro que cabe, é só rearranjar os móveis, jogar esse sofá pra lá, botar a pickup aqui.”
“Pickup?”
“É, a festinha vai ser profissa, vou contratar um DJ, alugar equipamento de som de qualidade.”
“Então vai ser festão.”
“Não, festinha, pouca gente, os casados podem vir, mas é pros solteiros se arranjarem.”
“Aí sim, mas tá faltando uma coisa...”
“Fala aí.”
“Se a festinha vai ser aqui, não é melhor ver aí com o dono da casa se ele libera?”
“Claro que libera, vai ser coisa pequena, umas trinta pessoas, ouvindo um som, trocando uma ideia, pega nada.”
“E o DJ bombando.”
“Isso aí, e nada dessas música mela-cueca que cês escutam, o negócio vai ser pra dançar, tipo uns funk!”
“Funk carioca?”
“Não, tá louco?! Funk do bom, do clássico, com F maiúsculo. FUNK!”
“Ah, tá, pensei que era funk.”
“Não, é FUNK!”
“Então tá, mas o lugar já tá liberado?”
“Claro que tá, pega nada, o cara é brother.”
“O brother tá dormindo com a cerveja na mão.”
“Puta, apagou, já? São nem quatro e meia...”
“É a idade.”
“Vai derrubar essa cerveja aí.”
“Nada, daqui a pouco ele acorda e mata o resto.”
“Mas na festinha nada de dormir, se não deixa todo mundo bodeado.”
“A festinha acaba quando o anfitrião apaga.”
“Então vamo falar pra ele dormir bem na véspera.”

terça-feira, 19 de junho de 2012

Vida e Obra de um Ninguém – Episódio 2


A segunda parte do episódio duplo de estreia da Sitcom, concluindo a aventura de João Damião em busca de riqueza na Serra Pelada. Sem querer ser um chato que dá spoiler, mas só pelo nome da série acho que você já deve fazer uma boa ideia de como essa história acaba...