quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O melhor filme do Justiceiro


O Justiceiro, o matador de criminosos mais famoso dos quadrinhos, já teve três versões para o cinema. Todas elas ruins. Uma em 1989, estrelada por Dolph Lundgren, que era tão tosca que o vigilante nem usava a camiseta com o símbolo da caveira.

Uma em 2004 com Thomas Jane no papel principal. O ator se esforçou, malhou, pintou o cabelo de preto, mas por mais louváveis que tenham sido seus esforços, o filme era bem mais ou menos, para não dizer coisa pior.

E a última em 2008 com Ray Stevenson como o personagem. Essa, a menos pior das três, poderia ter rendido um bom filme se os atores que interpretam os dois vilões não pensassem que estavam num Loucademia de Polícia.

Eis que surge a melhor versão num fan film independente, chamado Dirty Laundry, que conta justamente com Thomas Jane novamente como Frank Castle, enfrentando uma gangue de rua. Também há uma participação de Ron Perlman, como o cara da loja de bebidas.

Destaque para as várias utilidades de uma garrafa de Jack Daniels, o popular Zé Daniéis. Confira o filme aí embaixo:


terça-feira, 31 de julho de 2012

Vida e Obra de um Ninguém – Episódio 8


A inspiração para esse episódio veio das minhas férias escolares. E do meu progenitor, óbvio, como já havia ficado estabelecido. Toda vez que eu o visitava, o velho estava de rolo com uma mulher diferente. A cada seis meses era uma nova. Nem sei quantas passavam por suas mãos nesse meio tempo.

É preciso admirá-lo. Ele não tem a beleza, não tem o charme, não tem o dinheiro... Mas alguma coisa deve ter (também não é aquilo que você deve estar pensando, eu garanto). Quem dera eu tivesse herdado a manha do véio, teria me poupado de muitas situações constrangedoras. Mas só puxei mesmo foi a mania de organização, o temperamento nervosinho e o dedo do pé encavalado. Valeu, genética!

Verdade seja dita, contudo, Papai Smurf também só pegava mulher de mediana pra baixo, daquelas que passam raspando, e isso dependendo da subjetividade da avaliação, afinal, o sujeito pode ser bom no que faz, mas também não é mágico.

A mulher que inspirou a personagem Marta existe, e era mesmo daquele jeito (as roupas brancas, o cigarro mata-rato), embora nem de longe fosse tão bagaceira assim (só um pouco). E também não tinha filhos (aí já uni com uma outra história). Na realidade, ela era muito gente boa. Me lembro até hoje que ela era uma das poucas pessoas de Bauru que tinha um videocassete e não tinha medo de usá-lo. Na casa dela me recordo de ter assistido Super Mario Bros. e O Gênio do Videogame. É, eu tava passando por uma fase de filmes sobre games...

Ficava assistindo um filminho enquanto eles iam fazer sei lá o quê. Você acha que criança dá a mínima pro que os adultos fazem? Esse foi um rolo que durou algum tempo, entre idas e vindas. Até que em determinadas férias voltei lá e tinha acabado de vez. Grande patriarca Cyrino já estava com outra mocréia, o nível baixando exponencialmente. Numa das últimas vezes que fui lá, já tava dando graças pela baranga ter dois dentes na boca e conseguir assinar o próprio nome. Mas como é mesmo aquele famoso ditado? Mais vale uma na cama, mesmo encarando de olhos fechados, que cinco dedinhos marotos. Bom, é mais ou menos por aí...

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Batman tem TOC


Essa matéria é antiga, bem antiga. A versão inicial surgiu lá pelos idos de 2002, em forma de tese acadêmica. Acabei usando-o como portfólio, apresentando-o ao Corrales logo que nos conhecemos (isso já em 2005) para que ele visse se meu texto era bom e se combinava com a proposta do Delfos.

E foi o Corrales que acabou se lembrando dela esses dias, eu já havia apagado-a completamente da memória. Mas poderia casar bem com a estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. É tudo questão de timing.

Desenterrei-a, dei uma bela recauchutada, revisada, atualizada, cirurgia plástica, e o resultado final é esta versão totalmente nova que está publicada. Uma abordagem diferente para se falar do Homem-Morcego.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Sem dúvida, o filme mais esperado por mim este ano. Como fã do Batman, tudo que mais queria era que Christopher Nolan encerrasse sua trilogia sobre o personagem com uma terceira película de qualidade. E ele o fez.

Grande filme, pau a pau com o segundo. O que mais pesa a favor do Cavaleiro das Trevas é o Coringa. O vilão fez falta. Bane funcionou, mas não é tão marcante. E outra atuação como a de Heath Ledger vai demorar a aparecer, se é que aparecerá. Contudo, os outros aspectos da película ultrapassam em escala aqueles da segunda parte... Não preciso decidir isso agora, só sei que é um baita filme.

Com um baita elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine, Matthew Modine, Daniel Sunjata e Nestor Carbonell.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Vida e Obra de um Ninguém – Episódio 7


Muita coisa do que está neste episódio constitui um monte de minhas lembranças mais antigas. E apesar de que talvez o texto possa sugerir o contrário, garanto que todas elas são saudosas.

Acho que sou um dos primeiros filhos da “geração divórcio”, certamente fui o único entre meus amigos durante um bom tempo. Pra mim, isso era o normal, e não o contrário. Era mais fácil todos os outros estarem errados e eu não me importava nem um pouquinho por ter uma família “quebrada”.

Todos esses elementos do capítulo combinados significavam, para mim, fins de semana na época coberta pela história. Motos eram equivalentes a naves espaciais, igualmente fantásticas. Guaraná quente nunca foi tão bom quanto naquela época. E, claro, He-Man e Esqueleto, os inimigos mortais. Como era fácil agradar uma criança pequena.

Essa época durou pouco, mas aparentemente marcou. Afinal, escrevi um episódio inteiro sobre ela. Dias atrás, tomei novamente um guaraná depois de anos. Quase sofri uma overdose de tanto açúcar que tinha naquela porcaria... Esse episódio é em homenagem ao sabor do guaraná da infância. Quente, de preferência!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Batman – O Cavaleiro das Trevas

Nota: aproveitando o lançamento esta semana de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, desenterro mais uma resenha, esta de O Cavaleiro das Trevas, escrita à época de seu lançamento e antes publicada apenas em meu TCC do curso de jornalismo. É minha singela homenagem ao Homem-Morcego e ao fim da trilogia de Christopher Nolan. Minha resenha de Batman Begins escrita em meus primeiros dias no Delfos pode ser encontrada aqui. E uma resenha completamente diferente da que está abaixo, sobre a exibição em Imax de O Cavaleiro das Trevas, está aqui.


Para mim, este era o filme mais aguardado do ano. Aliás, desde o final de Batman Begins (2005), quando o tenente Gordon entrega a carta de baralho ao Batman, eu já vinha riscando os dias no calendário, esperando pela continuação.
         
Nisso, surgiram as primeiras notícias, uma agressiva campanha de marketing e os trailers. E tudo isso gerou um frisson monstruoso, tornando O Cavaleiro das Trevas o possível maior evento cinematográfico de 2008.
         
O meu problema com expectativas é que quanto maior elas são, geralmente a decepção vem na mesma proporção. Batman – O Cavaleiro das Trevas não somente cumpre tudo o que prometia, como ainda supera em muito todas essas já referidas expectativas.
         
Não somente é a melhor adaptação de HQs para o cinema já feita, como também é um senhor filme policial, como não se via desde a década de 70.
         
Em O Cavaleiro das Trevas, se junta à aliança entre o morcegão (Christian Bale) e o tenente James Gordon (Gary Oldman), o novo promotor público de Gotham, Harvey Dent (Aaron Eckhart). Chamado de Cavaleiro Branco de Gotham, Dent é um herói que Batman não pode ser: uma pessoa comum, com um rosto, incorruptível e que faz o certo porque acredita que pode fazer a diferença. E capaz de influenciar as pessoas de um modo saudável, algo que o morcegão não consegue. Desta forma, Batman caça os criminosos, Gordon os prende e Harvey os processa. Juntos, os três armam um plano para derrubar a máfia da cidade, atingindo-os onde dói mais, no bolso.
         
Mas o surgimento do Coringa (Heath Ledger) vai agitar as coisas e deixar toda a cidade em clima de terror, além de forçar o Homem-Morcego a ir aos seus limites, questionando sua própria influência na cidade e o nível de violência exigida para se chegar à justiça.
         
Essencialmente, essa é a trama básica, e bem básica mesmo, do filme. Contar mais poderia estragar muitas surpresas em potencial. E acredite, há muitas delas nos 152 minutos de projeção.
         
O grande mérito da película é não fazer concessões. Sim, é um filme de quadrinhos com censura baixa para atrair a molecada. No entanto, é violentíssimo sem mostrar uma gota de sangue. Respeita a fonte original (o roteiro foi influenciado pelas HQs A Piada Mortal e O Longo Dia das Bruxas), mas com coragem para modificar certos elementos e fazê-los funcionar melhor dessa forma. Tem muita ação e o nível de adrenalina fica constantemente lá em cima. No entanto, como o próprio nome já entrega, é o mais sombrio dos filmes do morcegão, com um clima dark e carregado e a sensação constante de que nem todos os personagens chegarão ao fim da jornada inteiros.
         
E, sobretudo, é um daqueles exemplares cada vez mais raros em Hollywood. Um filme de entretenimento onde o lado psicológico de seus personagens é mais importante que o número de explosões. E que diverte ao mesmo tempo em que faz pensar. E não somente aos fãs do personagem e de quadrinhos em geral, mas a qualquer um. Como disse, não é apenas uma adaptação de HQ, mas um policial de qualidade, como há muito não se via.
         
É um estudo sobre a maldade e os limites de uma crença. Tudo isso centralizado na figura do Coringa, o caos encarnado. Produto de uma sociedade cada vez mais amoral e corrupta. O que é mais assustador do que alguém sem motivação aparente para os atos mais bárbaros? É a pura representação do anarquismo. E o mais assustador ainda é notar que apesar de seus métodos terroristas, capaz de deixar Gotham City de joelhos, ele tem certa razão em fazer o que faz. Sim, eu acho que também sou anarquista...
         
O último trabalho de Heath Ledger, morto no início do ano, não somente é a encarnação definitiva do personagem (assustador, sádico e sim, cruelmente engraçado), bem como uma das maiores interpretações da história do cinema (coitado de quem for substituí-lo em projetos futuros. Essa pessoa terá de suar muito a camisa). Debaixo de uma maquiagem de pesadelos, Ledger desaparece na pele do Palhaço do Crime e se torna a grande força motora da película, ao lado da sensível interpretação de Aaron Eckhart como Harvey Dent, o último bastião de bondade em um mundo cada vez mais corrupto e violento.
         
Aliás, talvez essa seja a grande qualidade da película. Além de um elenco de nomes invejáveis, todos eles entregam performances não menos que ótimas. Christian Bale, como Bruce Wayne/Batman, está mais perturbado do que nunca, levado ao limite pela presença de seu maior vilão, seu exato oposto e talvez resultado de sua própria existência. Afinal, o conceito de escalada (policias usam armas semi-automáticas, os bandidos passam a usar automáticas. Um sujeito combate o crime vestido de morcego e começam a surgir criminosos insanos como o Coringa) é um dos temas da história.
         
As sequências de ação são maravilhosas (o uniforme novo de Batman permite uma maior movimentação de Bale, tornando as lutas ainda mais dinâmicas) e a sequência na China, por exemplo, deixa qualquer Missão: Impossível no chinelo. Engula essa, Ethan Hunt.
         
A fotografia é belíssima, escura e abusando de planos abertos e a trilha sonora, embora não seja marcante, acrescenta muito clima às imagens.
         
O ritmo da narrativa e a montagem são excelentes. A história não para nunca. Há tramas e mais subtramas que se desenrolam de forma natural e precisa, fazendo com que as duas horas e meia de duração passem num piscar de olhos.
         
E, ao final, a sensação de levar um soco no estômago é inevitável. Aqui não há finais felizes, vitórias completas e nem maniqueísmo. O mundo de O Cavaleiro das Trevas é composto apenas por áreas cinzas. Cabe aos personagens se equilibrarem nelas sem cair. O que talvez seja inevitável, mas para confirmar você terá de ver o filme.
         
Depois da experiência de assistir um filme como Batman – O Cavaleiro das Trevas, fica até difícil de pensar em voltar ao cinema este ano. A não ser que seja para revê-lo. E eu sem dúvida farei isso. Para filmes como este só existe uma palavra para defini-lo: clássico.

(The Dark Knight – EUA – 2008 / Policial/Ação – 152 minutos / Diretor: Christopher Nolan – Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Cillian Murphy, Eric Roberts.)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O “Parmera” e a máquina do tempo


Semana passada o Palmeiras finalmente saiu da fila de títulos nacionais ao conquistar sua segunda Copa do Brasil, novamente com Felipão no comando. Antes disso, o time ficou 14 anos sem ganhar nada em âmbito nacional (o título da série B do brasileirão em 2003 não conta), desde 1998, quando ganhou a primeira Copa do Brasil e Scolari tinha mais cabelos e menos deles brancos.

Em 1999 ganhou a Libertadores e depois foi só ladeira abaixo. Mas o foco aqui, ressalto, é um torneio nacional e os 14 anos que separam um do outro. Uma suada vitória depois de todos esses anos surtiu um efeito inesperado. Fora a alegria por finalmente sair da fila, proporcionou também certa nostalgia. Foi praticamente uma viagem no tempo sem precisar de 1.21 gigawatts.

Catorze anos... é tempo pra caramba. É todo um adolescente irritante. Eu ainda não me barbeava, não bebia, não tinha carteira de motorista, não tinha grandes pretensões e todas as decepções eram insignificantes. Era um outro mundo.

Era um mundo colegial, de uniformes e aulas matutinas, sem responsabilidades e sem muitas liberdades também, é verdade. O principal meio de transporte era a bicicleta e se eu quisesse ligar pra alguém, tinha de usar o orelhão. Celular era coisa de adulto. Música eu ouvia no MD, o formato mais compacto disponível. Meu videocassete de 6 cabeças era o supra-sumo do cinema em casa, junto da televisão de tubo de 29 polegadas.

No cinema tinha O Resgate do Soldado Ryan, Armageddon, Quem Vai Ficar com Mary?, A Hora do Rush e Godzilla. Na televisão, E.R., ou Plantão Médico, era o que havia, Friends já estava começando a entrar em decadência. Na música, foi o ano de The Masterplan, do Oasis e Adore, dos Smashing Pumpkins. Na literatura... bom, naquela época eu só lia gibis e os livros obrigatórios do colégio, então deixarei esta lacuna em aberto.

Se minha versão de 16 anos visse o mundo de agora, na certa teria dificuldades para entender e aceitar tantas mudanças. Sem dúvida ia achar que pareceria coisa de filme de ficção científica. “Ipad? Isso aí não é coisa do Jornada nas Estrelas?”. “O que, o Galeano ainda está no Palmeiras?”. Eu sei que parece impossível, mas faz sentido, tente compreender, Carlos do passado. Vá por mim, eu tenho mais experiência que você, meu jovem espinhento.

Se levar mais 14 anos para outro título, aí então é que vai virar coisa do De Volta para o Futuro II. Eu com meus 44 anos indo trabalhar num carro voador, com Mr. Fusion embutindo, ouvindo músicas no chip dentro da minha cabeça, Tubarão 25, dirigido por Max Spielberg em todas as salas de cinema holográfico. Os moleques brincando com seus hoverboards. E o Palmeiras lá, imutável, uma constante pra deixar Desmond e Faraday orgulhosos, com suas crises, brigas políticas e times cheios de cabeças de bagre e a eterna promessa de que a próxima temporada será melhor. De que um mísero título de respeito só vem a muito custo, chorado, após anos de tentativa e erro.

Que esse pequeno exercício de futurologia não se concretize. Bom, dizem que o mundo vai acabar esse ano mesmo. Até lá, vai “Parmera”!