quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Frankenweenie


A nova animação dirigida por Tim Burton é baseada em um de seus primeiros curtas-metragens, de 1984. No filme, o menino Victor Frankenstein reanima o cadáver de seu cão Sparky, após este morrer tragicamente.

Tem todas as marcas registradas de Tim Burton, o visual deslumbrante, os personagens bizarros e a trama cheia de elementos mórbidos, mas de condução leve e divertida. E, no entanto, é inegável que nos últimos anos o diretor anda apenas se repetindo e seus filmes não possuem mais a mesma força de outrora. Esse aqui se encaixa nessa categoria. É ok, mas nada marcante.

No elenco, as vozes de Catherine O’Hara, Martin Short, Martin Landau, Winona Ryder, Charlie Tahan e Conchata Ferrell.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte III – A Bruxa de Blair


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(The Blair Witch Project, EUA, 1999)
86min
Direção e roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sánchez

Em outubro de 1994 três estudantes de cinema desapareceram na floresta perto de Burkittesville, Maryland, enquanto filmavam um documentário. Um ano depois, o filme foi encontrado. Com essa premissa, os dois diretores estreantes (Daniel Myrick e Eduardo Sánchez) enganaram muita gente, fazendo as pessoas acreditarem que os três estudantes realmente haviam desaparecido, e que o material que seria assistido pelos espectadores era verdadeiro.

Na verdade, foi um jeito bem criativo de promover o filme independente mais rentável da história. O longa custou aproximadamente 35.000 dólares, sem incluir a pós-produção, e arrecadou cerca de 140 milhões de dólares só nos EUA. 

Os diretores espalhavam cartazes pelas sessões do filme com as fotos dos atores, dizendo que estavam desaparecidos. Além disso, utilizaram-se da internet para espalhar o mito da bruxa de Blair como real, enganando muitas pessoas que entravam no site oficial do filme. Uma rede de TV americana chegou a fazer um documentário sobre o mito da bruxa de Blair achando que fosse real. Além dessa rede, vários jornais e revistas caíram no truque, noticiando os fatos ocorridos no filme como verdadeiros.

Assim, a película que havia estreado em poucas salas do circuito underground, logo pulou para a exibição nos multiplexes, angariando uma multidão de espectadores que queriam conferir o filme que gerou tanta polêmica.

E a pequena cidade de Burkittesville acabou sendo invadida por fãs do longa, curiosos e pessoas desavisadas do caráter ficcional da história. Essa invasão foi retratada no início de A Bruxa de Blair 2: O Livro das Sombras (Book of Shadows: Blair Witch 2), continuação que não possui o caráter documental, sendo muito inferior ao primeiro, e por isso, foi um fracasso nas bilheterias. 

O filme foi realizado em Super 16 mm e depois ampliado para 35 mm. Além disso, foi usada uma câmera mini-DV que teria o propósito de filmar um making of do projeto. As imagens em Super 16 e em digital foram intercaladas na edição pelos diretores para dar mais dinamismo ao filme. Como consequência, existem horas de material inédito, que estão presentes na edição americana do DVD.

Os três atores filmaram eles mesmos praticamente tudo, portanto, temos o uso de câmera na mão. Além disso, deveriam entrevistar moradores da cidade que, sem que os três soubessem, haviam sido instruídos pelos diretores a darem as respostas certas para que as reações dos atores fossem as mais verdadeiras possíveis.

A partir do momento em que eles se perdem na floresta, praticamente todas as falas são improvisadas, e muitos dos fatos que acontecem com eles, como os barulhos estranhos à noite, foram provocados pelos diretores sem que eles soubessem. Assim, o medo deles se torna extremamente realista, o que ajudou as pessoas a acreditarem que se tratava de uma história real.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

The Killers – Battle Born


O novo disco do The Killers, depois de um considerável período de hiato, vinha cercado de muita expectativa. Pelo menos de minha parte, já que os considero uma das melhores bandas da fornada pós-Strokes.

Brandon Flowers está cantando muito. E isso é o máximo de elogio que se pode fazer sobre Battle Born. Não é ruim, mas é cheio de baladas genéricas, pouco imaginativas, bem longe da energia de seu início. Não é um trabalho vergonhoso, mas é bem decepcionante.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

10 discos do rock nacional: Parte final


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Continuando a seleção dos meus 10 discos favoritos do rock made in Brasil. A maioria deles ainda está em catálogo. E aqueles que não se encontram mais nas lojas (aliás, mal se encontram lojas de discos hoje em dia) podem ser achados facilmente em sebos.


Raimundos – Raimundos (1994)

Esse pode até destoar um pouco de todos os outros da lista, mas para um moleque de 12, 13 anos, idade que eu tinha quando conheci a banda, isso era a última bolacha do pacote. A mistura de hardcore com forró (ou forrócore, como ficou conhecido) e as letras debochadas e desbocadas, cheias de palavrões e putarias, marcaram toda uma geração. Seu primeiro disco, independente, era o mais enérgico dos brasilienses, e até hoje meu favorito deles. Esse entra aqui pelo grande valor sentimental que permanece forte. Pô, até hoje eu sei cantar toda a letra de Puteiro em João Pessoa!


Baladas Sangrentas – Wander Wildner (1996)

Wildner, vocalista dos Replicantes, lança seu primeiro álbum solo, e cria o chamado punk brega, com pegada instrumental do primeiro e temática lírica do segundo. E eu agradeço. Esse negócio é bom demais, e é uma pena que ele não seja mais conhecido fora do circuito punk e alternativo. Eis mais um disco com hits em profusão, com destaque para Bebendo Vinho (essa ficou famosa na cover do Ira!), Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo e Um Lugar do Caralho. E eu racho de rir, toda vez, com as hilárias Empregada e Freira Desalmada, duas músicas que representam muito bem esse lado maroto cafona do músico. Ouça.


Bloco do Eu Sozinho – Los Hermanos (2001)

Esse aqui dispensa apresentações e muito já se falou sobre ele. Justificado. Bloco do Eu Sozinho realmente merece toda a fama recebida. Um baita disco, misturando Beatles, Weezer e marchinhas de carnaval em canções com um acabamento barroco (mas sem perder o pop de vista) como poucas vezes se viu no rock nacional, especialmente no mais recente. Essa banda é daqueles casos de ame ou odeie. Não tem jeito: ou eles são a última grande banda a aparecer por aqui, ou são uns malas pretensiosos. Mas para quem gosta, Bloco é o grande motivo desse amor.


Cosmotron – Skank (2003)

Sim, o Skank, aquela banda de dancehall, cheia de hits radiofônicos como Garota Nacional e É uma Partida de Futebol. Aí eles resolveram dar uma guinada na carreira, experimentar coisas novas e fazer rock. Já tinham ensaiado essa virada no disco anterior, Maquinarama. Mas é em Cosmotron que a realizam completamente. E surpreendem. Goste ou não do som anterior deles, eles sempre o fizeram com qualidade e um faro pop que poucos possuem. Mantiveram isso aqui, fazendo um conjunto de grandes canções, calcadas um pouco em Oasis, um pouco em rock setentista. Para ouvir e constatar: não é à toa que esses caras estão em evidência há tanto tempo.


Seu Minuto, Meu Segundo – Gram (2006)

Já essa banda é uma das grandes promessas não realizadas do nosso rock, e digo isso principalmente por este que é seu segundo e último disco. Se o primeiro ainda tinha cara de demo, cheio de canções com seu potencial não inteiramente desenvolvido, aqui eles entregam um baita disco, daqueles de fazer dar play novamente assim que ele acaba. Para mim, o Gram tinha uma característica especial. Todas as bandas de rock brasileiro inevitavelmente soam como tais. E isso não é uma crítica, apenas uma constatação. Seja pela vontade de misturar gêneros e estilos nacionais a seu som, seja por uma ginga até não intencional, mas já arraigada no DNA do músico brasileiro, toda as bandas transparecem essa característica. O Gram era das poucas que você podia apagar a faixa de vocal e o instrumental soava como uma banda inglesa. E isso era foda, principalmente a guitarra solo, que tinha uma qualidade como poucas vezes vi em bandas daqui. Sérgio Filho também era um excelente vocalista. Até hoje me dói que eles tenham acabado tão cedo. Só posso imaginar o que mais teriam feito se tivessem continuado. Uma pena. Quem não conhece, fica a recomendação, corra atrás.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Promethea e a inadequação do pretenso escritor


Recentemente voltei a ler um dos meus autores de quadrinhos favoritos: Alan Moore. Já conheço seus trabalhos mais famosos e aclamados há tempos. Agora estou me concentrando em suas obras menos conhecidas e/ou menos elogiadas. Coisas mais recentes, de sua fase já “de bode” das grandes editoras.

Foi aí que peguei a série Promethea para ler, sem saber de absolutamente nada do que se tratava. Publicada por seu selo America’s Best Comics na Wildstorm (que, incidentalmente, é propriedade da major DC) entre 1999 e 2005, era material antigo. Na minha cabeça, qualquer coisa circa anos 2000 já é velho, exceto quando se trata de rock, o que é algo curioso, mas assunto a ser explorado talvez num outro texto. Voltando ao que interessa: nunca tinha lido nada a respeito desse título em revistas ou sites especializados. Imaginei que seria um trabalho menor – de pouca expressão – do barbudo inglês.

Suas 32 edições explodiram minha cabeça como há um bom tempo não acontecia. A última vez que me senti assim com uma HQ, com a plena certeza de estar lendo algo especial, de outra esfera, que ficaria em minha memória para sempre, foi com o Sandman de Neil Gaiman. Vale esclarecer, eu não li Sandman na época em que foi publicado no Brasil pela primeira vez, mas sim quando a Conrad o relançou naqueles volumes bonitões de capa dura. Ou seja, não faz tanto tempo quanto possa parecer da afirmação inicial.

O engraçado é que as duas obras são primas conceituais e filosóficas em sua exploração do onírico, da criatividade em estado bruto fluindo pelas páginas, cheias de erudição e referências mil.

Na trama da super-heroína que é uma ideia fictícia tornada viva pela imaginação coletiva, Alan Moore fala sobre o poder da criatividade, do surgimento das ideias e de conceitos universais como nossa capacidade ilimitada de imaginação, vida após a morte, espiritualidade e religião. Pega praticamente todas as grandes questões humanas e as interliga em sua maneira pessoal, conferindo sentido e criando seu próprio mito. E ainda dá uma aula completa sobre cabala. Coisa séria, de quem pesquisou e estudou a fundo. Não de quem achou a camada superficial bonitinha após ver num clipe da Madonna.

Ler uma história dessas causa duas reações distintas em pretensos escritores como eu. Por um lado maravilha, fascina. A qualquer um que trabalhe contando histórias, que viva da imaginação, a trama se propõe a ir no cerne da questão: de onde tiramos essas coisas? É tão criativo que é impossível não se contaminar instantaneamente por milhões de ideias, pegar a caneta e começar a rabiscar no pedaço de papel mais próximo o primeiro rascunho de qualquer coisa. É isso que toda boa obra de literatura deve fazer, instigar, não apenas divertir, mas passar adiante um legado. E isso, Promethea faz com gosto.

Por outro lado, impossível para alguém que se aventure no mundo das letras não levar um golpe bem dado no ego. Um verdadeiro chute no saco da autoestima. Caso V de Vingança, Watchmen, Do Inferno ou A Piada Mortal tenham ficado muito no passado, Promethea serviu para relembrar que Alan Moore é de outro nível, o sujeito não sabe brincar que nem gente comum e qualquer outro que tente fica parecendo café com leite.

É inevitável a sensação que veio e sempre me vem depois de ler qualquer grande obra literária em qualquer formato. A vontade de enfiar o teclado no saco e nunca mais escrever uma linha, poupar-me de passar vergonha. Afinal, sei de minhas capacidades e limitações. Sei que posso tentar décadas e não chegarei nem perto de escrever algo tão bom. Ler uma grande obra para alguém com aspirações literárias, ao menos no meu caso, tem o efeito daquela máquina da perspectiva total do Guia do Mochileiro das Galáxias: você subitamente compreende seu tamanho real e sua importância no universo e não suporta a verdade.

Mas esse efeito adverso é passageiro, e alguns dias depois, já recuperado da paulada, lembro-me que nem só de Alan Moores, Salingers, Dostoievskis, etc. é feito o mundo literário. Ele também é feito por seus Dan Browns e Sidney Sheldons (e aí me refiro à qualidade e não número de vendas, se não fico deprimido de novo) da vida. E de repente a competição fica bem mais fácil. Com um pouco da inspiração e empolgação que obras como Promethea espalham feito vírus, já dá para ficar mais animado nesse sentido.

Se não dá para entrar no panteão daqueles que residem nos céus, conforme de tempos em tempos seus residentes nos esfregam o fato na cara com suas melhores obras, ao menos nos inspiram a competir por um lugar ao sol em terra mesmo. E se tudo mais falhar, um consolo: pelo menos chapei o coco por 32 edições.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Falsos documentários: Parte II – This Is Spinal Tap


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(This Is Spinal Tap, EUA, 1984)
82min.
Direção: Rob Reiner
Roteiro: Rob Reiner, Christopher Guest, Michael McKean, Harry Shearer

A lendária banda britânica de heavy metal Spinal Tap acaba de lançar um novo disco, Smell the Glove, e anuncia uma turnê pelos EUA. O diretor Marty DiBergi, fã número um da dinossáurica banda, vê tal turnê como a oportunidade de ouro para homenageá-la documentando-a. A partir daí DiBergi passará a acompanhar todos os shows registrando-os, entrevistando os músicos e os membros da equipe da banda, e filmando tudo o que acontece nos bastidores da turnê.

DiBergi nos passa através de seu “rockumentário”, como ele chama seu trabalho, a emoção dos shows lotados do início da turnê até as humilhantes apresentações finais, onde a banda, já totalmente desprestigiada, acaba tocando num baile militar.
         
Nos mostra que os três integrantes da banda são um trio de “bestas quadradas” com suas entrevistas pretensiosas e seus egos inflados. Capta momentos marcantes de bastidores, como os problemas da censura com a capa do disco e o rompimento e eventual retorno do guitarrista com o resto do grupo.
         
Lendo esta sinopse é fácil acreditar que se trata de mais um documentário sobre uma banda das antigas que tenta um retorno e falha miseravelmente, uma história muito comum no mundo da música pop. Porém, o fato é que a banda Spinal Tap simplesmente não existe, o grupo foi formado somente para a realização do filme, o primeiro longa do diretor Rob Reiner (Conta Comigo, Louca Obsessão).
         
Escrito por ele em parceria com os atores Christopher Guest, Michael McKean e Harry Shearer, que interpretam respectivamente o guitarrista Nigel Tufnel, o vocalista e guitarrista David St. Hubbins e o baixista Derek Smalls, o filme nasceu quando os quatro receberam 10.000 dólares para escrever um roteiro e utilizaram o dinheiro para fazer um curta-metragem como demonstração do que tinham em mente. A ideia agradou, e o longa pôde ser realizado, sendo que várias cenas do curta acabaram entrando no filme.
         
Quem não conhece muito sobre rock, e até quem conhece, é facilmente enganado pelo filme passando a acreditar que a banda é real. Vários fatores contribuem para a veracidade da história:

- Os três atores principais são também competentes músicos e foram responsáveis pela criação das músicas do repertório do Spinal Tap. Além disso, nas cenas de shows eles estão realmente tocando.

- Diversos fatos ocorridos com a banda, como, por exemplo, passarem de meros imitadores dos Beatles a metaleiros progressivos, mesmo que exagerados para maiores efeitos cômicos, são inspirados em histórias que realmente aconteceram com bandas verdadeiras.

Somente nos créditos finais sobe uma mensagem dizendo que a banda Spinal Tap é fictícia. Esteticamente trata-se de um documentário convencional: Marty (o próprio Rob Reiner) faz uma pequena introdução sobre sua obra e passa a intercalar cenas dos shows com imagens de bastidores, festas, eventos promocionais, com entrevistas com a banda e pessoas envolvidas, sendo que ele mesmo assume o papel de entrevistador.

O filme segue uma certa linearidade mostrando de início o apogeu da banda com o sucesso dos primeiros shows até a decadência das últimas apresentações. As entrevistas e as cenas de bastidores seguem essa mesma ordem: no começo, tudo uma maravilha, e no final, brigas, discussões e a eventual saída de Nigel Tufnel e do empresário do trio por interferências da mulher do vocalista David St. Hubbins nos assuntos da banda (uma “homenagem” a Yoko Ono).

Porém o filme acaba bem, com a banda fazendo sucesso no Japão graças a uma onda de nostalgia que os coloca novamente no topo da parada de sucessos nas terras nipônicas. Para encerrar, um detalhe interessante: devido ao enorme sucesso do filme junto ao público roqueiro, a banda pulou da ficção para a realidade. Os três atores gostaram tanto da brincadeira que decidiram tornar a banda real, ainda que temporariamente, gravando discos e fazendo alguns shows especiais.

Em 2000 o filme foi relançado nos cinemas dos EUA e da Europa sendo seguido do lançamento de uma edição especial em DVD contendo cerca de uma hora e meia de material cortado da edição final.Ele permanece inédito em nossos cinemas e locadoras, podendo ser visto, contudo, em canais a cabo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

10 discos do rock nacional: Parte I


Falo muito sobre rock aqui neste blog. Não há como não fazê-lo, para mim é uma paixão tão grande quanto a literatura. A diferença é que, se eu me aventuro no campo literário com meus próprios trabalhos, no da música não dá. Me falta a habilidade. Limito-me a arranhar minha guitarra em casa e falar sobre música sempre que possível.

E, no entanto, até hoje só tinha usado esse espaço para falar de rock importado. Admito que 90% do que eu escuto de música é em língua inglesa, mas isso não quer dizer que eu também não goste de ouvir nada em meu idioma pátrio. Gosto, mas o problema é que é muito mais difícil achar algo que me agrade em português. Contudo, não é impossível.

Sendo assim, falarei aqui dos meus 10 discos preferidos do rock nacional. Isso não quer dizer, obviamente, que são os melhores, são simplesmente meus favoritos por gosto pessoal. E estão organizados em ordem cronológica e não de preferência. Vamos a eles.


Os Mutantes – Os Mutantes (1968)

Um dos discos mais impressionantes do rock em qualquer língua, de fazer frente a ninguém menos que os Beatles em sua fase mais criativa/experimental (não à toa, o quarteto de Liverpool é uma das grandes influências da banda). A estreia do grupo é insana, cheia de efeitos inovadores para a época, misturas inusitadas, bom humor e criatividade correndo solta. 11 faixas irretocáveis que servem como cartão de visitas daquela que é a banda de rock mais importante e influente do país. Obrigatório, bem como todos os outros discos do grupo com a formação clássica da banda, com o trio de frente Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee. 


Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973)

Outro disco de estreia de mais uma banda clássica. Assim como Os Mutantes, o Secos & Molhados também se notabilizou pela grande mistureba de gêneros e estilos em seu som. Mas o trio formado por João Ricardo, Ney Matogrosso e Gérson Conrad investia menos na molecagem e mais na poesia. E também em performances de palco incrementadas. Temos aqui, segundo a lenda, a fonte de inspiração do Kiss e suas maquiagens. Cheio de hits levados por excelentes arranjos de violão e a belíssima voz de Ney Matogrosso (um dos melhores cantores brasileiros, fácil), é outro que merece figurar em qualquer coleção. O bom é que foi lançado em CD no esquema “2 em 1”, junto com o segundo álbum, de 1974, que, embora não tenha tantas músicas conhecidas como este, também é excelente.


Nós Vamos Invadir Sua Praia – Ultraje a Rigor (1985)

Quando se fala em álbuns de estreia, creio que nenhum supera este da banda paulistana no quesito “entrar no mapa com os dois pés na porta”. O negócio chega a ser ignorante de tantos sucessos gerados por um disco só. Das 11 faixas, 8 são hits absolutos do rock nacional, tendo tocado à exaustão em rádios e programas de TV. E as outras 3, embora não tenham tido o mesmo destaque, também são muito boas. A mistura de rockabilly com surf music é boa, mas o grande destaque vai mesmo para as letras de Roger, que conseguem algo dificílimo (e que hoje em dia, dada a qualidade atual de nossa música popular, parece ter se tornado impossível): ser bem humoradas e ao mesmo tempo de extremo bom gosto e de uma inteligência ímpar, ao mesmo tempo em que critica as nossas muitas mazelas. Saudade do tempo em que o nosso rock tinha miolos.


O Concreto Já Rachou – Plebe Rude (1985)

De todas as bandas de Brasília, para mim a Plebe Rude é a melhor, e única que pode ser chamada de fato de banda punk. Eles tinham (têm, na verdade, já que ainda estão na ativa) a sonoridade mais agressiva e o engajamento político/social nas letras. E caramba, as músicas eram muito boas. Este EP de estreia tem sete faixas e todas elas são preciosas. Desde a abertura, com o clássico Até Quando Esperar até o encerramento com Brasília (música que retrata muito bem o que era a cidade), é uma pequena viagem punk e pós-punk de qualidade, com um trabalho de guitarras superior à média do rock brasileiro e a dinâmica entre os dois vocalistas, que dá um charme e um destaque a mais ao grupo.


V – Legião Urbana (1991)

Essa foi uma escolha difícil, visto que também poderia ter colocado aqui facilmente qualquer um dos três primeiros discos da Legião, todos eles ótimos. Acabei optando por este porque é o mais deprê (eu gosto de discos tristes) de sua discografia (à exceção do A Tempestade, mas esse eu acho um porre de tão chato) e onde a banda se esforçou no lado técnico, onde eles sempre foram bastante fracos. Os caras, que eram maus músicos até para os padrões do punk, se propuseram a fazer um disco de pegada progressiva, e se saíram bem. Os mais de 11 minutos da bela Metal Contra as Nuvens são um bom exemplo disso.